O programa de agricultura da Associação Alternativa Pé na Terra tem, na livre associação de pessoas devidamente instrumentalizadas, um empreendimento comum de prestação autogestionada de serviços em agricultura orgânica, abrangendo e compreendendo por solidariedade os problemas locais, procurando assegurar uma efetiva promoção sócio-econômica, bem como a melhoria do bem-estar social.
O bom agricultor vive para cultivar a terra e para cumprir sua função precípua, que é de fornecer alimentos, bens e riquezas necessárias à sobrevivência e ao bem-estar social. Mas entendemos que o homem do campo somente terá condições de exercer seus direitos e de colimar seu ideal de vida por meio da exploração justa e racional da terra.
Mas como poderão os agricultores exercer seus direitos de liberdade, de cidadania e de trabalho se grande contingente deles não mais é detentor de seu principal e mais sagrado instrumento de produção, ou seja, o conhecimento do processo de produção, do manejo da terra e do controle de suas nuances?
A perspicácia da indústria, tanto na produção de insumos agrícolas como de hibridação de sementes, o tornou refém de um modelo sócio-econômico insustentável, ao relegar a segundo plano a sustentabilidade e a racionalidade na exploração da terra, fazendo da necessidade de resultados econômicos imediatos algo maior que a sobrevivência tanto do ecossistema como do próprio produtor rural.
Acreditando na coragem e determinação e, fortalecidos pela integração e compatibilização de forças, buscamos o desenvolvimento de todos os homens e do homem todo, este sujeito e objeto do movimento, que participa e defende para que o atendimento de suas atuais carências se faça por meio de atividades que se reproduzam de forma apliada, mediante a elevação da base técnica de exploração da terra e da formação de um novo produtor.
Não mais cabe uma visão paternalista, tanto pública como privada, não permitindo que o homem do campo se posicione perante seus problemas e anseios, que é o de tomar posições objetivas e concretas que lhe garantam condições para uma vida mais digna. É bom lembrar que grande parte dos problemas enfrentados hoje no setor se devem à ausência da participação dos produtores, não se soube ouvi-los ou compreendê-los e, o que é lamentável, por muitas vezes estes foram afastados do lugar que lhes pertence.
A melhoria das condições de vida no campo e a consequente fixação do homem em sua terra passam invariavelmente pelo aumento da produção e da melhoria da produtividade agrícola, não somente quantitativa mas, substancialmente, qualitativa, respeitando a cultura agrícola de cada região e as necessidades ecológicas para a sustentabilidade de seus empreendimentos.

DAVI JOSÉ CHAGAS é bancário e presidente da Associação Alternativa Pé na Terra, em Maringá

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