Tem gente demais interessada no biodiesel, principalmente na sua produção. O biodiesel está de moda, embora muitas dúvidas ainda pairem sobre a sua identidade. A confusão começa na definição do que é o biodiesel. Há, simplesmente, os que o confundem com o óleo vegetal bruto. Também, há os que não diferenciam o biodiesel puro (B100) do biodiesel misturado (B2, B5...) e falam de um e de outros como se fossem a mesma coisa, resultando em números equivocados sobre a quantidade produzida ou consumida. Também, há os que não diferenciam o biodiesel, do novo diesel desenvolvido pela Petrobrás: o H-Bio. Vamos aos esclarecimentos:
Diesel, é um dos combustíveis obtidos pelo refino do petróleo. É um combustível fóssil, não renovável e poluente. Está ficando raro e, consequentemente, caro, ensejando a oportunidade para alternativas mais econômicas e sustentáveis.
O Biodiesel é um combustível renovável na faixa do diesel, menos poluente e obtido pela mistura de gordura vegetal ou animal com álcool etílico ou metílico (transesterificação), na proporção de 90/10, respectivamente, resultando, para cada 100 litros da mistura, 90 litros de biodiesel e 10 kg de glicerol, o qual tem sido utilizado na produção de cosméticos e explosivos. No entanto, se produzido em grandes quantidades, poderá ser um estorvo, e novos usos deverão ser buscados para evitar o problema.
Denomina-se B100 o biodiesel puro, obtido pelas indústrias conforme acima indicado. Apenas o B2 (mistura de 2% de B100 com 98% do petrodiesel) está liberado para comercialização no Brasil, onde já operam mais de 1.500 pontos de venda do produto. Sua comercialização é opcional até 2007 e será obrigatória a partir de 2008, quando será opcional a oferta do B5 até 2012 e obrigatória a partir de 2013. Uso de B10, B20 ou mais, dependerão do mercado futuro. A mistura do biodiesel com o diesel será feita nas distribuidoras (BR, Shell, Esso), não nas refinarias. Nesta fase de transição, a Petrobrás está bancando a compra de todo o biodiesel (via leilões), mas no futuro, todas as distribuidoras participarão. Segundo a indústria automobilística, o uso de B2 e B5 poderá ser feita sem necessidade de ajuste nos motores.
O H-Bio é um combustível na faixa do diesel, obtido a partir da mistura de óleo mineral com óleos vegetais, na presença de hidrogênio, num processo denominado hidrotratamento. Apesar de utilizar-se de óleos vegetais (até 18%) como matéria prima, ele não é biodiesel. É um diesel ecológico, pois contém menos enxofre e, portanto, polui menos. Só refinarias de petróleo conseguem produzir o H-Bio economicamente, pois utilizam unidades industriais muito caras (US$ 120 milhões), mas já existentes nas refinarias, que, ademais, produzem o hidrogênio utilizado no processo. Cada tonelada de óleo vegetal produz 850 kg de H-Bio, que consome, adicionalmente, 27 kg de hidrogênio. Sendo diesel e não biodiesel, o H-Bio terá que receber 2% de biodiesel a partir de 2008, para cumprir com a nova legislação brasileira.
A soja, seguida do algodão, serão a principal matéria prima para produção do biodiesel e do H-Bio.

AMÉLIO DALL'AGNOL é engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Soja

mockup