OPINIÃO - De olho nas avaliações genéticas
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sexta-feira, 08 de setembro de 2006
Maria Lúcia de Abreu Pereira 
O mercado brasileiro de touros é expressivo, mas será que estamos explorando todo o potencial desse segmento? Comprar reprodutores é um negócio sério. O animal certo pode trazer mais lucro do que qualquer outro investimento na fazenda, já o errado faz o pecuarista perder dinheiro tão rápido quanto ler este artigo. O touro responde sozinho por metade do melhoramento genético do rebanho. Além disso, especialistas em reprodução animal da Universidade de São Paulo estimam que o melhoramento do rebanho responde por 80% do lucro do pecuarista, quando respeitadas as condições de sanidade, manejo e nutrição.
A rotina de substituição dos touros é essencial para o melhoramento genético dos plantéis. Estima-se que 20% da bateria do projeto pecuário tenha de ser renovada por ano. A reposição por touros jovens agrega novas fontes genéticas e impulsiona a produtividade da fazenda. Porém, antes da aquisição do produto é preciso ter consciência exata das características que se deseja melhorar no rebanho, como ganho de peso à desmama, ao ano ou sobreano, carcaça, adaptabilidade, etc. Não basta escolher aleatoriamente, touro errado é prejuízo certo.
O uso do exame andrológico também é fundamental para a escolha de touros para estação de monta, pois garante a fertilidade do animal. Caso seja reprovado, ele tem de ser descartado ou será mais um ladrão de pasto, sal mineral e ainda não vai gerar nenhuma cria. No rebanho comercial, o melhoramento genético acontece em curto espaço de tempo, com o touro transmitindo o potencial desejado já na primeira geração. Nos rebanhos de elite, a situação é mais complexa, pois muitos criadores tendem a utilizar o animal por diversas estações de monta. Em outras palavras, não se trata de ''colecionar'' touros e sim melhorar o rebanho. A substituição de reprodutores por touros mais jovens a cada três estações de monta já proporcionaria melhoramento genético acelerado.
Há diversas ferramentas importantes para nortear a compra de touros melhoradores, a melhor delas é justamente a avaliação genética. O pecuarista deve adquirir produtos de um criatório de confiança, com garantia de qualidade, fertilidade e que responda por seu produto. Do criador deve ser exigido um programa de melhoramento consistente e com uma proposta coerente e condizente à realidade do mercado. O ideal é que o touro comprado seja provado ou tenha sido submetido a rigorosos testes de performance. Nesses casos, o principal fator não é só o ganho de peso, o histórico dos pais é indispensável. Carcaça, fertilidade, ganho de peso, adaptabilidade, habilidade materna, precocidade são características de grande herdabilidade.
A fórmula é simples: se o produtor paga para melhorar o rebanho tem de ter o retorno econômico esperado. Como costumo dizer, o prejuízo não está no valor pago por um touro melhorador e sim no dinheiro ''investido'' no touro ruim, que não dá peso nem dá produção. A perpetuação dessas deficiências na criação traz prejuízos incalculáveis à pecuária de corte, já o melhoramento contínuo proporciona ganhos econômicos permanentes.
Dicas importantes para escolha de um bom reprodutor de corte: escolha touros selecionados e avaliados; verifique se estão em sumários e com bons indicadores de fertilidade, produtividade e ganho de peso; compre touros adaptados e criados a pasto; escolha animais jovens e precoces. Não esqueça: as características da região da fazenda ajudam a escolher a melhor raça; a melhor genética exige melhores condições de sanidade, nutrição e manejo.
MARIA LÚCIA DE ABREU PEREIRA é pecuarista e proprietária da Fazenda Mariópolis, de gado adaptado Bonsmara, Caracu e Senepol


