O Brasil possui inúmeras vantagens competitivas em relação a seus principais concorrentes no agronegócio internacional. Afinal, o País é dono do maior rebanho mundial de bovinos, estimado em 195,5 milhões de cabeças, segundo o IBGE, e conta com farta disponibilidade de recursos naturais - extensas áreas cultiváveis, muita água e excelente clima para a produção de grãos, frutas, fibras e biomassa.
  A pecuária brasileira é da mais alta qualidade, valendo-se de um eficiente sistema de criação, baseado na engorda de animais a pasto. Além disso, o País lidera as exportações de carne bovina, posição consolidada no ano passado, com a receita da ordem de US$ 2,4 bilhões, o que representa 20% do mercado mundial.
  Outra conquista importante também foi assinalada em 2004, quando o Brasil assumiu a primeira colocação do ranking internacional das exportações mundiais de couros, desbancando os Estados Unidos da liderança, ao embarcar 27 milhões de peças, contra 20 milhões de couros exportados pelos norte-americanos.
  Todos esses aspectos constituem importantes vantagens comparativas para o País, revertendo-se em importantes ganhos para a própria sociedade brasileira. Há, entretanto, importantes passos a serem dados para que o País agarre a oportunidade de firmar-se como provedor internacional de produtos de couros de alto valor agregado, como calçados, móveis, estofados etc.
  A cadeia produtiva do couro é, de fato, uma dinâmica atividade, que movimenta US$ 4 bilhões, reúne 7 mil indústrias, emprega mais de 500 mil pessoas e gerou 60 mil novos empregos em 2004. Apesar desses números vistosos, o Brasil ainda precisa reverter o quadro de perdas de US$ 1 bilhão anuais, por conta de defeitos registrados nas peças produzidas internamente.
  Neste contexto, uma importante iniciativa foi a criação do Programa Brasileiro da Qualidade do Couro, fruto do convênio entre o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que está executando ações em dezenove estados, para diminuir tais perdas e valorizar o nosso produto no mercado internacional. O PBQC está mobilizando 500.000 pecuaristas, 18.000 trabalhadores em esfola e 1.080 universitários para multiplicarem as orientações técnicas com o couro a pequenos criadores.
  Trata-se de importante contribuição da cadeia produtiva para gerar novos empregos e aumento das exportações. Ao fazer a sua lição de casa, o setor espera políticas de estímulo à atividade, como, por exemplo, ajustes no atual desequilíbrio cambial, cujos efeitos nocivos já eliminaram este ano, 5.000 empregos, somente no Rio Grande de Sul.
  Como resposta, o setor pode responder com investimentos de US$ 1 bilhão nos próximos cinco anos, criando 650 mil novos postos de trabalho e expandir as exportações em até US$ 10 bilhões.

AMADEU PEDROSA FERNANDES é presidente do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) e vice-presidente do Conselho Internacional dos Curtumes

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