OPINIÃO - Centro-Oeste supera Sul na produção de grãos
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sexta-feira, 22 de abril de 2005
Devaldo Gilini Júnior 
Números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta semana, apresentaram uma surpresa nada agradável para a região Sul, formada pelos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Pela primeira vez na história das safras brasileiras, nossa região perdeu o primeiro lugar no ranking de principal produtora de grãos, cereais, leguminosas e oleaginosas do País.
O lugar da região Sul cantada há muitos anos, em prosa e verso, como celeiro do Brasil foi ocupado, na safra 2005, pelo Centro-Oeste, onde estão os Estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. O Sul, que sempre participou com cerca de 40% da safra, reduziu a fatia para 34,43% em 2005. O Centro-Oeste chegou ao primeiro lugar com 37,8% de participação.
Segundo especialistas esta queda pode ser creditada aos problemas climáticos na região Sul, já que convivemos com um grande período de seca, principalmente no Rio Grande do Sul, no Sudoeste e Oeste do Paraná e Interior de Santa Catarina. Mas também mostra que a expansão da fronteira agrícola brasileira está dando resultados.
O Centro-Oeste sempre foi visto com destaque na pecuária, contando com um rebanho Nelore suficiente para abastecer de carne bovina os grandes mercados consumidores do País. Agora também está obtendo grandes resultados na produção de soja e, mais recentemente, de algodão, com qualidade comprovada pelas multinacionais do setor têxtil.
Talvez a expansão seja uma solução para o 'Brasil Agrícola', mas a perda do primeiro lugar no ranking é um alerta para o Sul, que serve de aviso também ao Centro-Oeste e outros estados produtores como Minas Gerais e Bahia. O clima da região Sul tem sofrido mundanças todos os anos, aumentando os períodos de seca ou ocasionando fortes chuvas fora de época. Será que não chegou a hora de aumentarmos as precauções com o meio-ambiente?
O Centro-Oeste, do jeito que vai, não acabará sucumbido. E aí precisaremos ampliar cada vez mais as áreas de plantio, colocando em risco a produtividade do nosso solo e provocando mais transtornos climáticos? Aumentar a produção de grãos é importante, gera divisas. Mas precisamos também manter a terra em boas condições. Ou será que é possível produzir sem terra?
DEVALDO GILINI JÚNIOR é jornalista, Editor da Folha de Londrina.


