A agropecuária brasileira vive um momento delicado, com perspectivas nada animadoras para os próximos anos. Como se não bastassem as inesperadas ações do tempo, com alterações climáticas que, pelo extensivo período seco, causaram diminuição acentuada na produção agrícola em vários estados, estamos próximos das eleições presidenciais.
Neste contexto não parece evidente, em qualquer proposta e programa de governo, ações verdadeiramente voltadas para o agricultor e o pecuarista. Ainda não temos soluções para as invasões frequentes, para o amparo educativo das culturas de transgênicos, nem mesmo um amplo corpo técnico especializado para socorrer o recrudescimento de doenças dos animais, tais como febre aftosa, gripe aviária e outras que vêem surgindo. Quem conhece as produções agropecuárias de perto sabe muito bem que as ações dos governos frente ao inesperado são diretamente relacionadas à ausência de capacitação permanente de seus técnicos.
Não há uma política contínua de recursos humanos que recicle e atualize os técnicos que lidam no campo, muitas vezes sem o amparo para tomada de decisões, frente a situações surgidas como novidades ou inesperadas. Se os programas de governos não contemplarem a educação continuada dos profissionais que militam no campo, sejam em produção de grãos, seja em exploração pecuária, continuaremos a patinar nas intenções de ser um celeiro do mundo e um grande exportador de proteína animais.
Além de subsidiar esse constante treinamento, é importante que os governos possibilitem cursos gratuitos aos técnicos, subsidiando as universidades públicas brasileiras com recursos apropriados e dignos para também atender essa demanda. Além disso, o programa de apoio à agricultura familiar precisa parar de ser um discurso e uma promessa e ser efetivamente valorizada com investimentos, evidenciando, para os que ainda não sabem, o quão necessário é incentivar essa subsistência, principalmente no Brasil, onde o desemprego ainda é alto e somente 18% da população ainda reside na zona rural.
WILMAR MARÇAL, médico veterinário e reitor da Universidade Estadual de Londrina

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