OPINIÃO - Campo, o grande empregador
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sábado, 18 de dezembro de 2004
João de Almeida ampaio Filho (*) 
O agronegócio brasileiro tem garantido não apenas o superávit da balança comercial do país. Há mais de uma década é o setor que mais emprega em toda a cadeia produtiva da economia brasileira. Gera 18 milhões de empregos, ou 30% da população economicamente ocupada do país.
Esses números já colocam por terra as denúncias infundadas, de algumas entidades, ideologicamente atrasadas, que insistem em afirmar que o trabalho escravo é a principal forma de emprego na agricultura brasileira.
Órgãos do próprio governo fecham os olhos para o óbvio: o agronegócio, como um todo, gera um emprego para cada três existentes no país. Apenas a agricultura criou 155.786 empregos formais diretos nos primeiros cinco meses desse ano.
E mais, o Ministério da Agricultura (Mapa), com base em projeções do BNDES, calcula que até o final desse ano o agronegócio brasileiro terá gerado 1,2 milhão de empregos. Qual outro setor da economia criou esse número de empregos?
Somente no campo, os postos de trabalho absorveram 400 mil novos trabalhadores e os empregos indiretos em toda a cadeia produtiva do setor resultaram na contratação de 340 mil pessoas.
Outras 580 mil vagas foram geradas em consequência do efeito da renda agropecuária. Em português claro isso significa que a capitalização dos produtores incentivou a abertura de empregos em outras áreas da economia, como as indústrias da construção civil, têxtil e automobilística.
A exportação e o bom desempenho do agronegócio contribuíram e continuaram contribuindo para gerar empregos na indústria automobilística. A demanda de tratores, colheitadeiras e utilitários criaram nos últimos quatro meses cerca de 3,2 mil novas vagas nas montadoras.
Além disso, com a modernização da agricultura brasileira o número de empregos indiretos nas cidades brasileiras tem aumentado a cada ano. A renda per capita também. Nos últimos 30 anos, em consequência da expansão da fronteira agrícola do país, dezenas de novas cidades surgiram. Com elas, novos empregos. E renda.
Os dados mostram que nas cidades criadas em função da expansão da agricultura em regiões como Mato Grosso, oeste da Bahia, Rondônia, Acre e Roraima, a renda per capita de seus habitantes é superior a renda per capita brasileira.
Para ficar apenas em um exemplo: o município de Sorriso, no norte do Mato Grosso, que responde hoje por 2,8% da produção nacional de grãos do país e sua agricultura é considerada uma das mais modernas do mundo, pela utilização de alta tecnologia, ocupação racional do solo.
O PIB de Sorriso vem registrando um crescimento de 15% ao ano. O desemprego é quase nulo e a renda per capita do município é de US$ 7.870 contra os US$ 6,3 mil da brasileira.
Ignorando essa realidade da moderna agricultura brasileira, grupos ultrapassados lançam mão de casos isolados para denegrir a imagem do setor que mais cresce, gera empregos e renda na economia brasileira.
O mais estranho é que essas acusações se intensificam justamente em um momento em que o Brasil, impulsionado pelo agronegócio, aumenta sua participação no comércio mundial.
Desde o início de 2003 até o mês de setembro de 2004, as exportações do país cresceram 25,5%, oito pontos percentuais acima da média mundial, que ficou em 17,4%. É a primeira vez, nos últimos 19 anos, que o Brasil responde por 1% das vendas globais.
É importante que a sociedade brasileira saiba que a maioria dessas Ongs são estrangeiras ou recebem recursos dos chamados países ricos, Estados Unidos e Europa, que estão perdendo mercados para os produtos brasileiros, principalmente aqueles que fazem parte da cadeia produtiva do agronegócio.
É preciso que se dê um basta às denúncias equivocadas de trabalho escravo no campo. E o instrumento que temos para contestar as Ongs e entidades é informar a sociedade o que a agricultura, a pecuária e o agronegócio representam para o país e para os 182 milhões de brasileiros.
Separar o joio do trigo é preciso!
(*) Presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB)


