OPINIÃO - Beber café do Paraná, uma emoção única
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de maio de 2006
Florindo Dalberto 
Tomar um cafezinho pode ser uma experiência inesquecível. É isso que as pessoas procuram e o mercado vem mostrando: cresce a procura pela qualidade, pelo grão do tipo gourmet, pelos blends especiais e de apelo diferenciado. O Paraná pode oferecer tudo isso, é hora de atentar para esse movimento e lucrar com ele.
Produtores, técnicos e lideranças do Paraná nunca foram acomodados, e souberam fazer mudanças quando os desafios se impuseram. O Iapar, por exemplo, nasceu de uma dessas mobilizações, quando, no final dos anos 60, ficou claro que a monocultura cafeeira deixava nossa economia frágil e era preciso buscar alternativas tecnológicas para fazer uma agricultura mais diversificada.
As voltas que o mundo dá: mais tarde, foi o instituto que contribuiu decisivamente para o renascimento da cafeicultura no Estado, arruinada pela geada de 75. O Iapar desenvolveu a tecnologia do café adensado, que deu sustentação ao Plano Integrado para Revitalização da Cafeicultura, lançado em 1991, um belo fruto da soma de esforços de entidades do governo e da iniciativa privada, trabalhando em parceria.
O Plano deu certo. Atualmente, nossa produtividade média pode ir além de 20 sacas por hectare (antes era 10, no máximo) e a produção estadual mantém relativa estabilidade, com previsão de 2,2 milhões de sacas nesta safra. Mas a área plantada vem se reduzindo drasticamente e já preocupa; nesse ritmo, em alguns anos até o atendimento ao nosso consumo interno, estimado em 3,6 milhões de sacas por ano, ficará comprometido.
Para entidades do governo e da iniciativa privada, técnicos e lideranças do setor, é o momento de encarar um novo desafio: consolidar, de uma vez por todas, as mudanças iniciadas na década de 90. É preciso estimular o plantio de novas áreas e estabilizar a produção estadual. É preciso ''elevar o astral'' da nossa cafeicultura, criar um clima positivo de sinergia para consolidar o café paranaense no âmbito nacional e (por que não?) internacional. Temos produto, qualidade e competência para isso. A hora é agora; afinal, pasmaceira nunca foi característica dos paranaenses e, no aspecto dos preços, faz tempo que não vemos uma conjuntura tão favorável.
Precisamos ser pragmáticos. O Paraná tem uma ''musculatura'' invejável e é altamente competitivo: temos armazéns, torrefadoras, indústrias de café solúvel e ainda somos um grande centro corretor do grão. Temos, sobretudo, cerca de 15 mil cafeicultores (a maioria pequenos produtores) espalhados em 212 municípios do Estado. O setor emprega mais de 36 mil trabalhadores.
O café faz parte da nossa história e não podemos abrir mão dele. O Estado já ostentou o maior parque cafeeiro contínuo do mundo. Agora, em vez de um ''mar'' de plantas, a pesquisa preconiza ''jardins de café'' em pequenas propriedades diversificadas. Em vez de quantidade, temos, reconhecidamente, qualidade. E, com ela, a possibilidade de ocupar mercados exigentes e oferecer ao consumidor momentos de pura magia. Saboreando o café do Paraná.
FLORINDO DALBERTO, engenheiro agrônomo, é presidente da Adetec, ex-presidente do Iapar e integrou a equipe que idealizou o Plano Integrado para Revitalização da Cafeicultura.


