OPINIÃO - Agricultura: um desafio de sol a sol
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sexta-feira, 21 de julho de 2006
Prof. Dr. Wilmar Marçal 
Lavrar a terra para que ela nos forneça alimentos deveria ser algo tão nobre, quanto salvar vidas. E para uma profissão tão significativa, toda a atenção deveria circunscrever condições necessárias, como preço justo, infra-estrutura e mercado firme. Infelizmente nossos produtores rurais, neste seu dia, ainda não podem sonhar com esta situação, mais do que merecida.
Muito cedo aprendi que o campo impulsiona a cidade, sobretudo aqui no norte do Paraná. No começo foi o café, cujas lavouras ocupavam as ruas hoje centrais de nossa cidade. As imagens ainda são frescas na minha memória. Depois vieram as lavouras brancas, os centros de pesquisa - atividade que permanece forte e nos destaca nacionalmente.
No Brasil, por questões culturais e por absoluta falta de competência administrativa de nossos dirigentes, a saga do agricultor é penosa. O primeiro semestre do ano fecha com prejuízos ainda maiores do que em 2005, sem que possamos creditar tamanho buraco ao tempo. O problema hoje é pontual e cruel: falta de política agrícola definida e consequente supervalorização do Real.
Como se não bastassem os problemas, assistimos ainda baixos investimentos na pesquisa aplicada, que deveria ser considerada como um setor capaz de apontar soluções concretas para a economia brasileira. Fatos para isto não faltam. Basta dizer que nos últimos anos a agropecuária foi efetivamente a âncora verde, que salvou nossa balança comercial. E quando se pensa em mercado externo é fundamental planejar, pensar em investimentos sólidos em uma política para fomentar a agroindústria. Pensar em enviar para fora o suco concentrado ao invés da laranja, a soja em forma de leite. A agricultura, bem como a pecuária, precisam de pesquisa de ponta até para que possamos continuar a repetir números favoráveis como os dos últimos anos.
E pensar que somos o celeiro do mundo. Que nossos campos representam a alternativa de combustível que muito em breve vai tocar indústrias e a frota de dezenas, centenas de países. Não que eu seja sonhador, mas parto do fato de que temos extremo potencial, capacidade empresarial e sobretudo homens do campo com força, coragem, pioneirismo e vontade. Elementos capazes de superar as adversidades.
Enquanto aguardamos dias melhores, só nos resta acompanhar e fazer coro juntamente com o agricultor na sua luta por melhores condições de produção. E digo isto porque valorizo o trabalho do artista que luta de sol a sol, é o maior parceiro da natureza e nos abastece, nos gera renda.
Parabéns ao agricultor. Que todo suor de seu rosto, e os constantes calos de suas mãos sejam compensados com a lucidez de nossos governantes. Que no próximo ano possamos começar a vislumbrar os frutos de sermos a nação mais importante na produção de alimentos e de energia.
Prof. Dr. WILMAR MARÇAL é reitor da Universidade Estadual de Londrina


