OPINIÃO - A qualidade do trigo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de setembro de 2004
Eliana Maria Guarienti(*) 
Segundo o Levantamento da Conab, a expectativa de produção desta safra de trigo, no Brasil, é de 5.898.600 toneladas, que serão insuficientes para abastecer a demanda de mercado (10.111.000 t). A necessidade de importação é obvia. A expectativa de produção poderá ser um pouco maior, motivada pelo resultado positivo da safra de trigo do ano passado e pela frustração na colheita das culturas de verão.
Em se tratando de consumo, de acordo a Abitrigo, 70% da farinha consumida no Brasil, é destinada à fabricação de pães (55%) e massas (15%) e ultrapassa, em equivalente quantidade de trigo, a expectativa de produção deste ano.
Juntos, o Paraná e o Rio Grande do Sul, produzem 90% do trigo brasileiro. Tendo como base a disponibilidade de semente para o plantio da safra de 2004, o Paraná dispõe de 87% de sementes de cultivares de trigo classificadas comercialmente como Pão ou Melhorador, e, no Rio Grande do Sul, 41% das sementes disponíveis são da Classe Pão, ou seja, àquelas variedades que, em tese, melhor se adaptariam para a produção de pães, massas e outros que exigem maior força de glúten.
Parece clara a necessidade de melhorias no agronegócio Trigo, a começar pelo aumento da produção. A Embrapa Trigo, nestes quase trinta anos, tem se dedicado ao desenvolvimento de tecnologias que aumentam a produtividade. Com estas preocupações, até o presente momento, foram recomendadas 67 cultivares de trigo.
O avanço na pesquisa em qualidade tecnológica foi muito grande. E, a partir deste ano, será dado um passo muito maior nessa área, pois, estão sendo adquiridos equipamentos para determinação de cor de farinha e de dureza de grãos, os quais são de fundamental importância para o aperfeiçoamento de uma das grandes demandas dos segmentos armazenador e moageiro - a segregação de trigo.
A segregação de trigo por qualidade, consiste na separação, nas unidades armazenadoras, de lotes comerciais que apresentam características comuns. Como por exemplo, já vem sendo praticada por várias empresas, a separação de lotes de cultivares de trigo classificadas comercialmente como Brando, Pão e Melhorador.
Em se tratando de especialização de trigo, outro trabalho iniciado recentemente, na Embrapa Trigo, consiste na obtenção de cultivares com características específicas para o mercado de bolachas e biscoitos. Novas técnicas de laboratório, implantadas a cerca de um mês, com o apoio de pesquisadores da University of Idaho e da Kraft Foods - Latin America, auxiliarão a equipe de melhoramento genético na identificação dos materiais promissores para este segmento de mercado.
(*) Pesquisadora da Embrapa Trigo, Passo Fundo/RS


