OPINIÃO - A pecuária é um bom negócio para quem investe certo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de outubro de 2006
Daniel Feijó Biluca 
A pecuária brasileira encara com responsabilidade o desafio de intensificar a produção de carne bovina de qualidade. Os obstáculos existem, mas este é um caminho sem volta. Pode-se ofertar produtos diferenciados e receber mais por isso ou acomodar-se no lugar comum e disponibilizar carne commoditties esperando a imposição de preços pelos frigoríficos
Não é um processo simples. Para começar, é necessário mudar a própria consciência do produtor, que deve refletir seriamente sobre que tipo de pecuária realmente deseja ter. Após tomada a decisão, é preciso investir em manejo, em equipe de mão-de-obra e em infra-estrutura à propriedade. O passo seguinte é buscar animais de resultados zootécnicos comprovados, avaliados e criados em condições de campo para potencializar a produção sem comprometer os custos do projeto.
A recomendação dos especialistas é buscar genética nos projetos pecuários que tenham histórico de sucesso, com gado avaliado e reconhecidamente melhorador. A velha máxima de ''a união faz a força'' também pode funcionar como um componente importante. Em tempos de mercado difícil e margens de rendimento curtas, uma alternativa cada vez mais utilizada com sucesso pelos produtores que desejam avançar rapidamente na atividade é integrar-se em grupos que desenvolvam projetos profissionais, regidos por normas, com objetivos produtivos claros e bem definidos, entre eles, buscar animais jovens, prontos para o abate aos 24 meses, com peso superior a 17 arrobas, boa conformação da carcaça e espessura de gordura, ou seja, carcaças classificadas para exportação.
A soma de forças também contribui para equacionar a relação custos x retorno econômico na pecuária. Nos momentos de dificuldade com boi gordo a preços baixos, trabalhar com menos riscos e melhores margens de lucro pode representar a sobrevivência; já nos momentos de mercado valorizado, podemos juntos maximizar nosso rendimento buscando os melhores negócios do mercado.
O poder de negociação é uma vantagem incontestável obtida pelos grupos de pecuaristas associados. Os frigoríficos preferem negociar grandes volumes, para o ano todo. Com isso, oferecem melhores cotações (bonificações) porque têm segurança da entrega do gado e da qualidade dos lotes. A regra é clara: a escala de produção é pré-definida e o rendimento dos animais no abate é melhor.
Para os pecuaristas que enxergam o futuro, esse é o momento exato para investir com segurança na melhor genética e desencadear todo esse processo. Estamos às portas da estação de monta, que resultará na produção de bezerros que se tornarão bois gordos em 2009. Esta é a hora para buscar no mercado touros e vacas comprovadamente melhoradores. O retorno é certo.
DANIEL FEIJÓ BILUCA é zootecnista e executivo da Conexão Delta G Norte, associação que reúne 28 projetos pecuários espalhadas pelo Brasil Central. [email protected]


