Ultimamente tem se discutido muito sobre as perdas significativas nas lavouras brasileiras. Segundo pesquisadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de um milhão de toneladas de arroz são desperdiçadas no pós-colheita. Isto é justamente a quantidade que o Brasil importa para suprir a demanda interna.
  Alguns especialistas, principalmente da área governamental, consideram que este desperdício é fruto da falta de competência do produtor rural. Porém, esquecem de se preocupar em estipular políticas públicas para escoamento e armazenamento da produção. No momento, o grande interesse do Governo Federal é divulgar números, recordes, e tão pouco ele se preocupa em legislar a favor do setor agropecuário nacional.
  Se a safra brasileira é sustentada no patamar de mais de 100 milhões de toneladas de grãos, tudo se deve a alta capacidade do produtor rural. Somos competentes e auto-suficientes para suportar a ganância tributária de todos os setores do Governo e de conviver com as dificuldades climáticas que o nosso país apresenta.
  Na comunidade européia e nos EUA, o agronegócio é tratado com mais respeito. A produção de máquinas e implementos agrícolas recebe subsídios de até 50% do valor final do equipamento, disponibilizando assim, um alto nível tecnológico e uma melhor maximização do uso dos insumos agrícolas. No Brasil, o que vimos é totalmente inverso: com os encargos, taxas e impostos, o preço final de uma máquina agrícola é superior em 50% ao seu preço de custo. Ou melhor, um trator que custa X tem um acréscimo de 50% no seu valor final. E isto vale também para outros segmentos, como o de insumos e de rações.
  É necessário que o Governo entenda que o setor precisa de condições para trabalhar, gerar novos empregos e renda. Quero dar uma sugestão: se houvesse interesse do Governo em retirar a cobrança da alíquota máxima dos impostos aplicados sobre as peças para reposição de máquinas e implementos agrícolas usados – que atualmente varia de 8 a 16%, sendo sempre aplicado o teto máximo –, garanto que o produtor, seguramente, melhoraria seus índices de produção. Seria um grande estímulo para o setor, sem derramar ‘‘caminhões’’ de dólares ou euros, como é feito lá fora.
  Outra certeza é que a queda no recolhimento dos cofres públicos seria compensada num período bem curto – creio que já na 1ªsafra – com uma produção nacional superior 10% a deste ano, gerando novas divisas e muitos alimentos para a população. Para quem vive reclamando do desperdício, sem tomar atitudes convenientes, já seria um bom começo. Basta apenas querer e saber somar forças!
PEDRO BRANCOé engenheiro agrônomo, produtor rural em Londrina (PR) e sócio da Sociedade Rural do Paraná .

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