OPINIÃO - A avicultura mundial não usa hormônios Antônio Mário Penz Júnior
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sexta-feira, 04 de agosto de 2006
Antônio Mário Penz Júnior 
Desde o início do desenvolvimento da avicultura mundial, um dos paradigmas que sempre exige justificativas dos técnicos é de como os frangos, a cada ano, são produzidos com mais eficiência. Normalmente, o que prevalece são considerações que atribuem esta eficiência ao uso de substâncias indevidas na alimentação dos frangos, em especial os hormônios, que promovem este crescimento ''anormal''.
É importante afirmarmos que a avicultura mundial não usa hormônios como aditivos das dietas de frangos. Na verdade, existem várias razões legais e técnicas que justificam o não uso de hormônios.
Do ponto de vista legal, o uso de hormônios ou de substâncias quimicamente similares é proibido em vários países. No Brasil, em 1976, o então Presidente da República, Ernesto Geisel, proibiu a adição de hormônios em alimentos para animais. Desta forma, não há a possibilidade de livre comércio destas drogas no País. Sendo assim, o primeiro impasse que a indústria avícola teria que superar seria o contrabando contínuo de produtos que tivessem hormônios em suas composições.
Além disso, a maioria das informações disponíveis na literatura internacional indica resultados controversos de qualquer hormônio no desempenho dos frangos de corte. Teoricamente, estas drogas permitem a redução da concentração de gordura e aumentam a concentração de proteína. Entretanto, pesquisas têm demonstrado que os benefícios destas substâncias são extremamente controversos. Na maioria das vezes, elas não têm promovido qualquer vantagem.
Outro aspecto importante é que um número significativo de empresas avícolas brasileiras exporta frangos para vários países do mundo. Nossa participação no mercado internacional está sustentada pela qualidade do produto. Assim, como a indústria brasileira poderia correr o risco de ter seu produto condenado pela presença de alguma substância ilícita?
Confundir hormônios com nutrientes como vitaminas, minerais, aminoácidos, etc, tem sido muito comum. Estas opiniões descabidas podem prejudicar um dos setores mais desenvolvidos em nosso País. Nós, técnicos, devemos, com argumentos como os apresentados, afirmar à população que não deixem de comer frangos, pois eles nos oferecem uma quantidade significativa de nutrientes por condições de preço incomparáveis e na mais variada forma de apresentação.
ANTÔNIO MÁRIO PENZ JÚNIOR é professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS)


