Desde crianças aprendemos que a água é um recurso natural escasso. Mas, milhões de pessoas ainda não se conscientizaram da gravidade do problema. Lavar calçadas e o automóvel com esguicho ou escovar os dentes com a torneira aberta são vícios decorrentes da aparente ''fartura''. As estimativas mostram que se nosso comportamento não se alterar drasticamente, em aproximadamente 50 anos teremos no Brasil um cenário generalizado de escassez.
Se analisarmos a complexidade do que é receber água tratada em nossas torneiras, talvez comecemos a adotar um comportamento diferente. O que acontece com a água despejada nas redes de esgoto? Para onde vai? E de que jeito? Como consumidores, somos protegidos pela legislação e devemos tomar conhecimento de algumas informações.
Quando captam a água, as companhias de abastecimento devem fazer uma criteriosa análise físico-química e microbacteriana do líquido. Lamentavelmente, em alguns municípios a água distribuída à população é um ''esgoto tratado''. A descarga de nossos banheiros volta para nosso consumo na lavagem e preparação de alimentos. Nada errado quando se usa o tratamento adequado.
Mas não é o que acontece na esmagadora maioria das cidades do Brasil. Algumas companhias sequer tratam o esgoto e o descarregam em bacias que estão mortas ou em vias de morrer, ação considerada ''crime ambiental''. Sendo otimista, apenas entre 30% e 40% dessa água usada é tratada antes de ser lançada nas bacias, rios, açudes. Mas, na conta de água é cobrada, salvo algumas exceções, uma taxa referente à captação e tratamento de esgoto.
Em outros casos, é aplicada uma overdose de produtos químicos no processo de desinfecção. Longe de evitar problemas de saúde na população, a envenena com o cloro que, ao longo do tempo e em casos de doses não-controladas, pode causar graves doenças.
Existem normas rígidas em relação ao uso e resíduo do produto, mas algumas companhias de abastecimento utilizam grandes volumes de cloro em suas diversas formas e nomes para garantir um mínimo de desinfecção na captação. O que acontece em seguida é o pior. Com as reações causadas pelo contato com as substâncias orgânicas, liberam-se cloratos e TTHM (os trialometanos), substâncias altamente cancerígenas.
Em países mais desenvolvidos, a tecnologia de tratamento de água e a política de conscientização em relação ao uso e descarte desse líquido estão tão avançadas que já se fala em nanotecnologia em tratamento de água. No Brasil, damos pouca atenção a esse problema. É estupidez tratar a água como a tratamos.
Lá fora, o cloro já foi decretado o grande vilão no tratamento de água. Aqui o utilizamos sem restrições. Lá fora existem substitutos mais potentes que o cloro e com grau de toxidade zero. Aqui, insistimos em achar que aquele ''cheirinho'' em nossas piscinas é sinônimo de limpeza e desinfecção. Por acaso você já ficou com os olhos irritados após um banho de piscina? Imagine o que o cloro deve estar fazendo dentro de seu organismo.

DANIEL AUGUSTO MADDALENA é consultor especializado em cooperativismo

mockup