OPINIÃO - 46ª Exposição de Londrina: vitória da garra e da união!
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quarta-feira, 05 de abril de 2006
Edson Neme Ruiz 
Nos últimos meses, os veículos de comunicação têm divulgado com ampla repercussão a crise provocada com o decreto de febre aftosa no nosso Estado e a indignação de seus leitores com o sacrifício de animais saudáveis, gerando um grande desperdício de alimentos e indenizações com recursos financeiros públicos. Lamentamos apenas que algumas pessoas insistem em atribuir aos agropecuaristas à responsabilidade por tamanha crueldade.
Com o fim de resgatar a continuidade do agronegócio, obstruído pela crise instituída com o evento da febre aftosa no rebanho paranaense e atender aos protocolos de comércio internacional, firmados pelo Governo Federal, os proprietários rurais afirmaram que aceitavam o sacrifício dos animais, com o objetivo de solucionar todo o impasse técnico criado. Desde o início do levantamento das suspeitas de aftosa no rebanho paranaense em outubro do ano passado, a Sociedade Rural do Paraná e os produtores rurais, que tiveram suas propriedades interditadas, discordaram dos procedimentos adotados pelas autoridades governamentais e afirmaram sempre que o Paraná não tem aftosa. Não mudamos a nossa opinião, ao contrário do que muitos fizeram pelo caminho, e vamos continuar lutando pela verdade. Nestes últimos quatro meses foram muitas reuniões políticas e encontros técnicos na fazenda do ministro Roberto Rodrigues, e em Londrina, Curitiba, Brasília e Maringá que contaram com a presença de representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná, do Panaftosa, da Missão Européia, de representantes dos Poderes Legislativos estadual e federal, conselhos e entidades do setor, que nos levaram a crer que o impossível pode tornar-se possível e o possível pode transformar-se em impossível, com relação aos procedimentos sanitários. E é por isso que, recentemente, lutamos pela necropsia dos animais. Queremos tecnicamente saber o que de fato aconteceu no rebanho paranaense.
Talvez o que muitas pessoas desconhecem é que os representantes do nosso país assinaram acordos sanitários junto à Organização Mundial de Saúde Animal e à União Européia que permite situação como esta para atender protocolos comerciais. Lá no primeiro mundo, nem vacinar o rebanho é preciso, pois eles estão num grau bem mais avançado de defesa animal. Aqui ainda não conseguimos afastar o temido vírus da febre aftosa na América do Sul. Acreditamos e esperamos que esta experiência que vivenciamos sirva de subsídios para adequação das exigências internacionais à realidade brasileira. Enquanto isso não acontece, somos contrários a qualquer ato insano em favor da sanidade. Muito mais que a perda do patrimônio material, estamos enterrando anos de trabalho em melhoramento genético.
Entre os dias 6 a 16 deste mês vamos realizar a 46ªExposição Agropecuária e Industrial de Londrina, considerada o maior evento do gênero na América Latina. Queremos, desde já, conclamar todos os produtores rurais da agricultura à pecuária a lutarem pelo respeito à nossa atividade. A Exposição de Londrina, que abrirá as comemorações dos 60 anos da Sociedade Rural do Paraná, será uma grande oportunidade para mostrarmos mais uma vez, à comunidade, todo o nosso trabalho e de cobrarmos dos governantes a devida atenção e comprometimento para com o homem do campo. Queremos contar com a sua participação e com suas reivindicações neste grande evento da agropecuária mundial. Traga seus familiares e amigos!
EDSON NEME RUIZ é presidente da Sociedade Rural do Paraná


