O Centro Nacional de Pesquisa de Milho e Sorgo deverá lançar também, para a safra 97/98, um novo híbrido forrageiro de sorgo, o BR 700, de duplo propósito para colheita de grãos ou utilização em silagem. O híbrido forrageiro, de acordo com o pesquisador Didio Gazzinelli de Barros, está sendo testado e deverá ser uma alternativa de melhor qualidade para feitio de silagem destinada à alimentação animal.
‘‘Hoje a mentalidade com relação a silagem mudou. Pensa-se em mais qualidade nutritiva do que em armazenar maior quantidade de massa verde’’. Especialmente nas regiões onde o clima é rigoroso em relação às chuvas, o novo sorgo, em comparação ao milho, pode ser mais tolerante à seca.
De acordo com Barros, o híbrido apresenta produção de forragem competitiva com a dos sorgos forrageiros comerciais, entre 30 e 40 toneladas de massa verde. A produção de grãos é equivalente à das cultivares tradicionais de sorgo granífero, de 4 a 5 toneladas por hectare, e resulta numa alta relação grãos/forragem e numa silagem de qualidade.
A produção de silagem de alto nível, segundo Barros, prova-se pela relação grão, colmo e folhas que a planta oferece. O BR 700 tem apresentado cerca de 20 a 30% de panículas, 10 a 15% de folhas e 50 a 65% de colmo na matéria verde, com alta sanidade de folhas e grãos, permitindo a obtenção de silagem de alto valor nutritivo.
O híbrido é precoce, florescendo entre 65 e 75 dias. O ponto de corte para silagem ocorre aos 85 a 100 dias após o plantio, quando os grãos estão na fase leitoso-pastosa e a planta contém em torno de 30% de matéria seca. Apresenta ainda panículas semi-abertas, grãos de cor castanha, endosperma semiduro e peso médio de 1000 grãos de 30g.
O BR 700 é um híbrido resistente ao acamamento e ao alumínio tóxico do solo e alcança rendimento de rebrota entre 30 e 40% do obtido no primeiro corte, quando as condições edafoclimáticas são favoráveis.
O material ensilado, quando os grãos apresentam-se no estágio leitoso-pastoso, tem apresentado cerca de 60% de disgestibilidade in vitro da matéria seca e 6,5% de proteína bruta.
Os pesquisadores da Embrapa garantem que o híbrido tem se adaptado bem a diferentes situações climáticas e sistemas de plantio, desde o Rio Grande do Sul até os Estados do Sudeste e do Centro-Oeste do País, sendo preferencialmente indicado para plantios de verão.(C.B.(

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