Opção para pequena propriedade
''A floresta cabe na pequena propriedade'', ressalta o chefe da Divisão de Cultivos Florestais da Seab, Renato Viana Gonçalves. Segundo ele, arborizar pastagens resulta em um incremento de 15% a 20% na produtividade leiteira ou de carne. O chefe geral da Embrapa Florestas, Helton Damin da Silva, afirma que a integração lavoura-pecuária-floresta é foco de fortes investimentos em pesquisa e transferência de tecnologia. ''A inserção do componente florestal traz benefícios econômicos e ambientais, em especial quando se pensa em recuperação de pastagens e melhoria nos sistemas de uso da terra'', comenta.
O agricultor Paulo Kiyoshi Taki trocou, há pouco mais de cinco anos, a produção de gado de corte em confinamento pelo sistema que integra a produção de carneiros com o cultivo de eucalyptus. Da propriedade de 12 hectares em Rolândia, Norte do Estado, cinco hectares já são ocupados pelo sistema silvipastoril. Taki é associado à Cooperativa Coopercapanna Carnes Nobres, para a qual vende toda a produção de cordeiros e lã.
O agricultor lembra que antes os animais sentiam muito com o calor e ficavam ofegantes ao andar pelo pasto. ''Pensei no bem-estar dos animais. Os eucalyptus fazem sombra e dão mais conforto à eles'', argumenta. Taki salienta que o efeito da geada ocorrida no final de junho foi menor nas pastagens integradas ao eucalyptus. O produtor aponta a economia com a mão-de-obra, a diversificação da renda e a independência em relação ao clima como outras vantagens do sistema. Taki já cultiva eucalyptus para produção de lenha em outra propriedade de cerca de 96 hectares no Oeste do Paraná e pretende ampliar a área e implantar o sistema silvipastorial com gado de leite.
Assistência
Para aderir ao sistema, Taki foi orientado pelo zootecnista do Emater, Geraldo Moreli. O zootecnista afirma que, caso o produtor tenha mão-de-obra própria, o custo inicial é apenas o da compra das mudas, que hoje são vendidas à R$ 0,25. ''Dependendo da estratégia utilizada de manejo, o custo pode ser de R$ 200 a R$ 300 por hectare'', avalia. Moreli ressalta a melhora da fertilidade do solo ocasionada pela queda de matéria orgânica das árvores.
Segundo o zootecnista, até o próximo ano, Taki terá que iniciar o manejo de desbaste, retirando algumas árvores do sistema para produção de lenha e, assim, ampliar o espaço de crescimento das demais. ''A rentabilidade média anual para lenha é de R$ 600 a R$ 700 livres por hectare plantado com linha simples'', informa. Moreli explica que para vender a madeira como tora para serrarias, as árvores precisam ter até 10 ou 15 anos. ''A área florestal se torna uma poupança para o produtor, que pode analisar qual o melhor momento para comercialização'', comenta.
Moreli afirma que o número de propriedades que adere aos sistemas integrados poderia ser maior. ''Estamos em um pólo moveleiro e o produtor poderia aproveitar essa demanda'', avalia. Segundo ele, o metro cúbico de madeira serrada é vendida, em média, a R$ 140. Já a lenha varia de R$ 40, quando o comprador precisa cortar a madeira na propriedade, a até R$ 75 o metro cúbico quando já é entregue cortada. (M.F.)





