Opção para a agricultura familiar
Além da herança européia, outros fatores contribuem para que o Paraná seja o maior produtor nacional de plantas medicinais, aromáticas e condimentares. Aqui existem condições climáticas e solos favoráveis, diversas espécies nativas, além de um serviço especializado de assistência ao agricultor. ''Nosso trabalho é referência nas américas Central e Sul'', afirma o engenheiro agrônomo Cirino Corrêia Júnior, da Emater, que é coordenador estadual desse tipo de cultivo.
''O boom do setor aconteceu em 1980, quando passamos para atividade comercial'', lembra o técnico. Segundo ele, praticamente toda da produção vai para o consumo interno. A unica exceção é a produção da fáfia ou ginseg brasileiro. ''O Paraná exporta 190 toneladas do produto, por ano, principalmente para o Japão'', informa Cirino. Para o mercado nacional, cerca de 15% é destinado para fitoterápicos enquanto que o restante para as indústrias alimetícias, fitocosméticos, de óleos essenciais e bebidas.
O Brasil ainda importa cerca de R$ 5 milhões em plantas medicinais e condimentares, como cominho, erva-doce e boldo do chile, mas já é autosuficiente em relação a algumas especiarias. No Estado, os maiores produtores de plantas medicinais, aromáticas e condimentares são as macroregiões de Curitiba, Paranaguá, Guarapuava, Ivaiporã, Apucarana e Lapa. Hoje são produzidas 72 espécies no Paraná, com potencial para chegar a 100. As mais cultivadas são: camomila, gengibre, duboisia, capim-limão e espinheira-santa. Em 2005, segundo a Emater o valor bruto de produção (VBP), ultrapassou a casa dos R$ 300 milhões.
Segundo Corrêia Júnior, há esforço dos produtores em agregar valor ao produto com a produção de extratos vegetais, cuja venda para o mercado externo já supera a das plantas. Outra tendência é para o crescimento do cultivo orgânico.
A Associação Paranaense de Plantas Medicinais (Asppm) investe na expansão da atividade como uma alternativa viável para a agricultura familiar. No mês passado, enviou ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) um projeto para criar um sistema de comercialização da produção vida de pequenos produtores.
Kléber Berté, presidente da associação destaca o baixo custo da atividade. ''No geral, os agricultores desconhecem as normas e padrões do produto para o comércio e, muitas vezes, não sabem nem quem são os compradores. Queremos evitar os atravessadores, qualificar os processos de produção e mão-de-obra e aumentar a renda do produtor'', explica
De acordo com o presidente da Asppm, foi solicitado uma verba de R$ 200 mil para a implantação da câmara de comércio, que funcionará em Curitiba. ''Em três anos, queremos aumentar a produção anual de 300 para 800 toneladas e envolver 650 produtores''. Atualmente, estão na atividade 200 agricultores familiares. (F.G.)





