Opção natural para combater pragas
Estimulada pela crescente procura por alternativas ecológicas no controle de pragas, uma empresa de jardinagem e paisagismo de Londrina está investindo na produção de mudas de nim, árvore originária do Sudeste da Ásia cujas sementes e folhas possuem propriedades inseticidas. De acordo com o engenheiro agrônomo Arthur dos Reis Gonzaga, sócio-proprietário da Passiflora, a maioria dos interessados busca cultivar a espécie em casa para utilizá-la no tratamento de plantas ornamentais.
Percebemos a necessidade de uma alternativa menos agressiva ao observarmos que as pessoas usavam venenos indiscriminadamente dentro de casa, onde há crianças e animais, sem nenhum tipo de cuidado. O nim controla as principais pragas de jardim e não causa prejuízos à saúde, disse.
Na área ruralAs mudas também têm despertado o interesse de produtores rurais. Eles estão plantando alguns pés para observar o comportamento da planta na nossa região e quem sabe investirem no cultivo em larga escala, comentou o agrônomo. Os inseticidas à base de nim ainda não possuem certificação do Ministério da Agricultura, mas já existem produtores e pequenas indústrias processando as folhas e sementes no Brasil.
O produto obtido é viável em lavouras de alimentos orgânicos, onde se faz o manejo integrado de pragas. De acordo com Gonzaga, nim também tem sido utilizado como barra-vento em lavouras de café.
PesquisaO uso do inseticida natural de nim tornou-se conhecido nos últimos 30 anos, quando seu principal composto, a azadiractina, foi isolado. Uma pesquisa realizada pela bióloga Sueli Souza Martinez, do Instituto Agronômico do Paraná, informa que a planta tem mais de 50 compostos terpenóides, a maioria com ação sobre os insetos.
Ela também constatou que a planta se desenvolve melhor em temperaturas acima de 20 graus, com solos bem drenados, não ácidos e localizados em altitudes abaixo de 700 metros. Nestas condições, começa a dar frutos em cerca de dois anos e produz até 10 quilos de semente seca por unidade.
No clima subtropical do Norte do Paraná, as plantas se desenvolvem mais lentamente, iniciando a produção de frutos depois de seis anos e alcançando até 10 quilos de semente seca por planta, após dez anos do plantio.
Apesar dos dados obtidos pela pesquisadora, Arthur acredita na viabilidade do nim na região. Nos animamos porque os pés cultivados no Iapar sobreviveram à geada do ano passado. O nim queimou menos que o café, argumentou. Para ele, a crescente preocupação com a redução no uso de agrotóxicos torna o mercado promissor, pois o cultivo da espécie ainda é pouco divulgado no País.
Processamento Para preparar o extrato de nim, basta triturar as sementes ou frutos frescos com água, deixar a mistura descansar por 12 horas e depois filtrar o líquido. O mesmo processo pode ser aplicado às folhas, embora a concentração de azadiractina seja menor. Em ambos os casos, o produto obtido deve ser pulverizado sobre as áreas infestadas.
Outra opção é extrair óleo inseticida da moagem das sementes. Sueli informa que a torta restante é rica em azadiractina, tem efeito nematicida e serve como adubo orgânico.
As sementes também podem ser armazenadas e utilizadas posteriormente. Depois de colhidas, a pesquisadora recomenda que sejam secas ao sol por dois ou três dias e descansem mais dois dias à sombra antes de serem despolpadas. Quando estiverem completamente secas, devem ser armazenados em baixas temperaturas.





