Opção de variedades é enorme
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 1997
Cláudia Barberato 
ReproduçãoPragaA lagarta-do-cartucho é a principal praga do milho O pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa de Milho e Sorgo (CNPMS), da Embrapa, de Sete Lagoas (MG), José Carlos Cruz, afirma que não existem variedades específicas para cultivo do milho fora de época, ou o chamado milho- safrinha. Já existe avaliação de materiais usados na safra normal que se comportam bem na safrinha, lembra.
O pesquisador aconselha que a melhor informação sobre a semente que o lavrador deve plantar, pode ser conseguida nos escritórios de assistência técnica de sua região. A listagem das variedades indicadas para cultivo soma mais de 100 materiais diferentes por Estado. Segundo Cruz, todas as empresas de semente atualmente têm bons materiais disponíveis.
LimitaçãoO que limita a safrinha, afirma Cruz, é o custo da semente. A cultura é de risco, alerta, pela falta de água ou geada durante o seu ciclo. O potencial médio de produção, considerado razoável, é de 2 mil a 2.400 quilos por hectare; o que não quer dizer que alguns produtores não produzam mais. Porém esta produção, de acordo com o pesquisador, não justifica pagar muito caro pelas sementes.
A maior área de plantio do milho-safrinha, afirma o pesquisador, está no Paraná, com 700 mil hectares, seguida de perto por São Paulo, com 500 mil hectares. No Brasil são 1 milhão e 500 mil hectares. As outras maiores áreas estão em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, com perspectiva de aumento nos próximos anos.
A pesquisa indica que o produtor faça tratamento de sementes no plantio, principalmente nas regiões onde há ataque de lagartas. No tratamento de sementes muitos inseticidas ajudam a controlar a lagarta. No Paraná, por exemplo, ocorre ataque da lagarta elasmo, principalmente na Região Oeste.
Segundo o pesquisador, os produtores da safrinha têm feito o tratamento de sementes, para evitar redução de produtividade; pelo custo-benefício vale a pena fazer. A colheita do milho-safrinha, observa Cruz, dá-se em junho/julho, quando o preço do produto está 10% a 15% acima da cotação histórica.
Outra preocupação do produtor deve ser o acompanhamento da lavoura, durante todo o seu ciclo, para detectar ocorrência de doenças, já que o clima e o plantio tardio do milho aumentam as chances de ocorrências. O importante é plantar o mais cedo possível para correr menos riscos, avisa Cruz. Se conseguir usar plantio direto, melhor. Não precisa preparar o solo, economizando tempo. Já entra plantando, garante mais economia de água, o fator limitante da safrinha.
A lagarta-do-cartucho é a que mais ataca a cultura do milho. Quando faz o tratamento de sementes, de certa forma, o agricultor já está prevenindo este ataque. Se ocorre a infestação, deve avaliar a conveniência de fazer o controle. E, se optar pelo controle, tomar cuidado com inseticidas que podem matar os inimigos naturais, escolhendo os mais específicos para a lagarta-do-cartucho que existem no mercado.


