O potencial, facilidade de cultivo e disponibilidade fazem do bambu excelente alternativa para a permacultura, linha da agricultura ecológica que tem como preceito a sustentabilidade, com a organização da atividade por meio da disposição das lavouras, equipamentos, economia de energia e utilização dos recursos disponíveis no local. A otimização faz até mesmo o produtor caminhar menos na propriedade.
A permacultura, cujo precursor foi Bill Mollison, teve início na Austrália década de 1970 e está sendo disseminada pelo mundo por David Holmegren. No estado, o Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA), em Curitiba, divulga o conceito em cursos e oficinas.
Alunos de colégios agrícolas paranaenses aprenderam a construir estufas com bambu no curso ministrado pelo bioarquiteto paraguaio Guillermo Gayo. ''O produtor pode usar o bambu de sua propriedade e se livrar, por exemplo, da ameaça de geadas'', explica Filipe Braga Farhat, diretor adjunto do CPRA. Ele cita também a utilização do material para construção de abrigos para animais, depósitos e até a casa da família. O cultivo do bambu pode também servir para o controle de erosão. Folhas são opção de forragem para alimentar animais.
Guillermo Gayo informa que a elaboração dos projetos construtivos com o bambu variam conforme as condições do local e os recursos. ''Para o material ser durável, tem que ser bem colhido. Se não estiver maduro, não vai durar. A observação da maturidade é algo que tem que ser ensinado na prática. O bambu tem ciclos e deve ser colhido nos períodos de menor atividade, nos meses mais frios, entre maio e agosto'', disse Gayo.
Por isso, o material utilizado nessa etapa do curso foi colhido em julho. Os feixes foram tratados com uma mistura à base de tanino, água e sal, água e bórax. Para os pilares da estufa optou-se pelo uso de bambus mais grossos, das espécies dendrocalamus e chacoensis. Já na cobertura foram utilizadas cultivares mais finas, com cortes recentes e novos, para que a flexibilidade permitisse o arqueamento, ensina o professor.
Guillermo Gayo aponta que além de atender os princípios do conceito de agroecologia, a estufa de bambu é atraente sob o ponto de vista financeiro. ''Essa estrutura não custa nem 20% do que custaria uma estufa comercial de alumínio ou aço'', afirma o professor.
''Existe bambu no Paraná todo, mas são poucas as pessoas que exploram essa área. Para comparar, na China há mais de 4,5 mil utilizações do bambu'', comenta Enio Goss, coordenador das Ações de Agroecologia da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema). ''As aplicações vão desde construção de estruturas até confecção de utensílios, artesanato, móveis'', completa Gayo.
Goss destaca que as utilizações do bambu exigem muitas especificidades e não podem ser resumidas em poucas palavras. Por isso, até o final do ano deve ser elaborado um DVD com esses ensinamentos que será disponibilizado para os interessados nas escolas agrícolas e por intermédio da Sema.

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