Responsáveis por grande parte do abastecimento de alimentos da cidade e representando a quase totalidade dos produtores do município, pequenos agricultores são o alvo do projeto que visa a proteção e recuperação do ambiente e cujas ações serão remuneradas por meio do PSA. A ONG Meio Ambiente Equilibrado (MAE) identificou um grupo de 30 propriedades que margeiam o Ribeirão Três Bocas e dez delas já passam pela fase de levantamentos para definir os planos de manejo.
  ‘‘O PSA tem o objetivo de estimular e compensar economicamente o agricultor familiar pelo custo material da recuperação das matas ciliares de preservação e reserva legal’’, diz o advogado ambientalista Camillo Vianna. As ações da ONG no Três Bocas devem ter o suporte do Termo de Parceria e Ajustamento de Conduta, apresentado ao Ministério Público, que servirá de referência para que os produtores façam a adesão ao projeto de PSA londrinense.
  O termo proposto pela MAE prevê obrigações conjuntas entre proprietários de terras de até 30 hectares e inclui os órgãos ambientais, além da própria entidade. Na avaliação do ambientalista, a iniciativa ‘‘garantirá o equilíbrio nas relações ecológicas e sociais da cidade, que depende da alimentação produzida pelos trabalhadores do campo’’. As ações fazem parte do chamado Programa de Reflorestamento de Mata Ciliar e Reservas Legais de Londrina,
  Atender a exigência legal é um bom argumento para fazer a recomposição da mata ciliar e reserva legal. Mas há um outro forte motivo para a implantação de ações como essa. A ONG Mae identificou no Três Bocas, que compõe parte dos 30 quilômetros do Corredor Ecológico Parque Arthur Thomas – Rio Tibagi a existência de diversos animais em extinção, entre as quais 17 espécies de mamíferos. O registro foi possível graças a câmeras adaptadas, camufladas em árvores.
  Em média, para recomporem suas áreas, os agricultores cadastrados precisam plantar entre 600 e 3 mil mudas, de acordo com os mapeamentos. Um dos integrantes do programa de reflorestamento, o projeto ‘‘Na Pegada do Parque’’ tem a meta de plantar 500 mil árvores em 10 anos. As mudas do projeto no Três Bocas virão da ONG SOS Mata Atlântica.
  Pelo plantio de floresta, a Ong MAE calcula pagar, aos participantes do projeto, com verba disponibilizada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), pelo menos R$ 1,5 mil por ano, durante dois anos, divididos por semestre. Caberá à ONG, junto com outros órgãos, abordar, cadastrar e propor o reflorestamento remunerado aos produtores. (R.C.)

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