A Organização Mundial do Comércio (OMC) tomou uma decisão importante esta semana ao condenar os subsídios concedidos pelos Estados Unidos a seus produtores de algodão. Isto pode ajudar a ''deslegitimar as bilionárias'' subvenções à agricultura e criar um ''ambiente psicológico'' favorável à eliminação desses benefícios que distorcem o comércio internacional. Esta é a opinião do governo e setores do agronegócio algodoeiro.
É bom para o Paraná, por exemplo, que retoma a sua produção. Mas é preciso deixar claro que os subsídios norte-americanos não estão dando sinais de que serão eliminados; talvez reduzidos.
Os Estados Unidos subsidiaram a produção e exportação de algodão em US$ 3,147 bilhões apenas em 2002, segundo dados oficiais do próprio Departamento de Agricultura do país (USDA). O número consta dos documentos enviados pelo governo brasileiro à Organização Mundial do Comércio (OMC) para o processo contra a política de subsídios dos EUA ao setor algodoeiro.
Os papers foram organizados pelo ex-secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura Pedro de Camargo Neto, idealizador do processo que rendeu ao Brasil vitória preliminar no painel arbitral da OMC.
Os documentos revelam que, entre 1999 e 2002, os EUA subsidiaram a produção de algodão em 89% do valor da própria safra. Ou seja, o Tesouro americano despejou US$ 12,4 bilhões no bolso dos produtores de algodão. A produção, em igual período, teve valor comercial estimado em US$ 14 bilhões.
O ano de 2001 apresenta números ainda mais impressionantes: a safra norte-americana ficou em US$ 3,1 bilhões, mas o montante de subsídios chegou a US$ 4 bilhões, 129% do valor da safra. O objetivo do governo dos EUA era preencher a lacuna entre o custo de produção e o preço de venda da fibra. Ainda em 2001, o custo de produção de algodão nos EUA foi de US$ 530 por acre, para um retorno comercial de US$ 280 por acre. A diferença foi coberta pelo Tesouro, com a distribuição dos US$ 4 bilhões ao setor.
Isentos de qualquer preocupação ou vínculo com os preços e condições de mercado, com a renda garantida pela Casa Branca, os produtores americanos só fizeram aumentar a produção. A colheita cresceu de 13,3 milhões de fardos em 1998 para 15 ,5 milhões em 2001 (16,5%). Garantidas pelos subsídios, a produção e a exportação dos EUA só cresceram no período, enquanto os preços seguiram direção oposta.
O prejuízo, conforme evidenciam os documentos enviados à OMC, ficou com outros países, cuja produção e exportação não são subsidiadas. Com isso, os EUA aumentaram sua fatia de mercado no comércio internacional de 17% em 1998 para 42% em 2002. A queixa brasileira mostra que os produtores nacionais perderam US$ 478 milhões entre 1999 e 2002 com a baixa dos preços internacionais induzida pelos subsídios dos EUA.

mockup