O dito popular 'prevenir é melhor que remediar' tornou-se parte da rotina de trabalho dos pecuaristas paranaenses, que utilizam os dias quentes do verão para planejar melhor como será o inverno. Mas nem sempre foi assim. Foi preciso sofrer as consequêcias das geadas para que os criadores de gado aprendessem a famosa lição ensinada na fábula de Esopo 'A cigarra e a formiga': deve-se trabalhar no verão para poder alimentar-se no inverno.
Mas o veterinário da Emater de Loanda (102 km a oeste de Paranavaí), José Antônio Azevedo Osório afirma que nem todos os criadores pensam dessa forma. Pecuaristas tradicionais ainda se esquecem do inverno e sofrem prejuízos em uma época repleta de artifícios para driblar o frio.
''Os produtores dedicados à pecuária intensiva são mais conscientes e projetam o inverno durante o verão. Só assim podem garantir a alimentação do gado sem precisar se desfazer de parte dele, como era de costume'', explicou.
Entre as alternativas utilizadas pelos criadores está a plantação de cana ou aveia, o armazenamento de feno ou até a silagem de farelo, usado na complementação do alimento do gado nos dias mais frios. ''Confinar os animais também pode ser uma saída'', sugeriu o veterinário.
As lavouras também sofrem com a mudança brusca de temperatura e no caso de culturas adaptadas ao inverno, como feijão e milho, as perdas, em caso de geadas, são quase fatais. ''Trigo e aveia não sofrem tanto, pois são culturas de inverno, mas não há como proteger as safrinhas de milho e feijão, que são realmente prejudicadas quando o frio é intenso'', disse o técnico da Emater de Paranavaí, João Álvaro Silveira.
Segundo o meterorologista do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), Marcelo Brauer a previsão de geadas é feita com apenas três dias de antecedência e a melhor forma de manter-se informado é checar diariamente os boletins do tempo.
Saber se o inverno deste ano será mais rigoroso que o do ano anterior também não é uma tarefa fácil para os meteorologistas, já que os mapas são elaborados com as temperaturas médias dos últimos 30 anos. ''Mesmo sem a ocorrência de geadas nos últimos três anos não é possível precisar se o mesmo acontecerá este ano. É preciso estar sempre atento'', declarou Brauer.
Ele afirma que o Simepar elabora boletins trimestrais, divulgados mensalmente em todas as regiões do Paraná. ''Na região de Londrina, por exemplo, o mês de maio deverá ter temperaturas variando entre 15 e 24 graus, enquanto em junho, os valores devem baixar um pouco, chegando a 12 graus pelas manhãs e 23 nas tardes'', comentou.

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