Olho no talento feminino
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de julho de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba A participação da mulher na vida das cooperativas ainda é pequena, em torno de 10% a 15% do quadro geral. Afinal não é fácil prosperar num meio onde os homens sempre mandaram e desmandaram. Mas as cooperativas estão de olho no talento feminino para incentivar a diversificação da produção nas propriedades, uma alternativa de faturamento à produção exclusiva de soja e milho, atividade mais vulnerável ao clima e crises de mercado.
Pelas mãos do incentivo às lideranças nas cooperativas é que a participação feminina está crescendo e hoje já é possível encontrar mulheres em postos de responsabilidade como os conselhos fiscais das cooperativas.
A meta é integrar o Conselho de Administração, principal centro de decisão das cooperativas de produção, avisa Fátima dos Santos Maculan, conselheira fiscal da cooperativa Lar, de Medianeira. Foi pelas mãos do incentivo à liderança feminina, que Fátima alcançou o posto de conselheira. Em 1997, aos 22 anos, abraçou definitivamente a profissão de produtora rural, após deixar a profissão de técnica contábil no comércio. Passou a produzir leite, milho e soja numa pequena propriedade da família, de 8,5 alqueires em São Miguel do Iguaçu (43 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu).
Sempre no centro de decisões da família, Fátima não pensou duas vezes quando em 2000, junto com o marido, bancário que ficou desempregado, instalou um aviário na propriedade. Foi a senha para a opção definitiva pela produção rural, um caminho inverso ao de muita gente que sai do campo para a cidade, revela.
Desde então, Fátima vem participando ativamente da cooperativa. Primeiro, como convidada da liderança do comitê central. Depois como líder de cooperadas, posto que ocupou por quatro anos, até que se candidatou para concorrer ao posto de conselheira fiscal da cooperativa. Foi a mais votada pelos cooperados, entre 12 lideranças, concorrendo ao cargo de conselheira fiscal. Dos seis membros, sendo três efetivos e três suplentes, conseguiu a primeira vaga da suplência do Conselho Fiscal.
Fátima se dedica à função de fiscalizar como se fosse membro efetivo. Aprendeu a verificar e interpretar balancetes, hábito que desenvolveu desde os 17 anos quando fez o curso de contabilidade fiscal. Eu sou uma das críticas do Conselho Fiscal, aponto problemas e faço questão de colocá-los em ata, observa.
Entre os cinco membros homens do Conselho Fiscal, Fátima não falta às reuniões mensais e é voz respeitada na cooperativa. Detalhista, disse que uma de suas preocupações é saber se o cooperado está satisfeito com a cooperativa. Quando duvido de alguma coisa peço o histórico do assunto, resumos e verifico os documentos. Se achar que algo não confere, procuro toda a documentação à respeito do assunto, explica.
Fátima admite que ainda existe machismo na cooperativa, mas lembra que antes as dificuldades eram maiores. Estou realizada porque gosto de dar a cara para bater. A conselheira não esconde que o cargo de conselheira fiscal é uma ponte para vôos maiores.
Estou aprofundando meus conhecimentos sobre a cooperativa para me preparar para a eleição em 2007, avisa.


