Olho na nova safra
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sexta-feira, 31 de outubro de 2003
Reportagem Local 
Começou o plantio da nova safra de soja e o mercado daqui para frente começa a mudar. A tendência, segundo os analistas, é atribuir ''menos importância'' à redução da safra norte-americana e focar mais o comportamento da safra brasileira e da América Latina, especialmente a safra argentina. O impacto das compras pela China também tende a diluir-se até o final do ano.
As primeiras estimativas indicam que se tudo correr bem a colheita pode chegar a 100 milhões de toneladas. Segundo levantamento feito por Safras & Mercados, a produção da América do Sul deve chegar a 102,9 milhões de t.
É bom o agricultor acompanhar o desenvolvimento da safra porque o aumento causa impacto ao mercado. São 12% acima da produção do ano passado (92,9 milhões de t).
No Brasil, segundo Safras & Mercado, a produção deve chegar - se tudo correr bem - a 59,4 milhões de t (+15%). Argentina cresce menos, mas apresenta um volume respeitável: 37,7 milhões de t (+7%). No Paraguai a produção pode chegar a 5 milhões de t (+13%). A produção da Bolívia não passa de 1,84 milhão de t (+11%).
A safra de soja está puxando para cima a produção de grãos oleaginosos na safra 2003/04, informaram, esta semana, as empresas de consultoria e mercado.
A Conab, embora mantendo uma postura conservadora, confirma um aumento acima de 4,2%, que pode chegar a uma colheita de 125,5 milhões de toneladas, um número intermediário entre uma projeção realista-conservadora dos órgãos do governo, uma projeção otimista, feita pelo mercado, de 127 milhões de t.
Milho - Os preços do milho estão longe dos seus bons momentos do ano passado, mas, esta semana, o mercado reagiu bem. Segundo a Granoeste, de Cascavel, como as cotações do milho na Bolsa de Chicago fecharam em forte alta na quarta-feira, houve reflexos no mercado interno. As constantes altas da soja nos Estados Unidos também exerceram influência sobre o milho.
Outro fator que exerceu influência nso preços foram os rumores de que a China irá diminuir suas exportações de milho, podendo abrir espaço para o desvio da demanda para o produto norte-americano. Este movimento altista beneficia o produto brasileiro que tem como base de sustentação os preços de seu produto a paridade internacional de exportação, conforme analistas da Granoeste.
Enquanto o mercado busca razões externas para manter o nível de preços, produtores se mostram retraídos. Na quarta-feira, no Porto de Paranaguá, foram fechados negócios na faixa de R$ 18,50. Também na quarta houve poucos negócios variando entre R$ 16,50 e R$ 17,00/saca FOB no Sudoeste do Paraná. Em Maringá entre R$ 15,00 e R$ 15,50; em Ponta Grossa, preço máximo de 16,00.
O mercado só não está mais agitado, segundo corretores de São Paulo, porque a avicultura e a suinocultura - ao contrário do que ocorreu no ano passado, não divulgaram previsão de crescimento para o próximo ano, sugerindo pequeno aumento da demanda pela indústria de rações.


