Olericultura em destaque
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sexta-feira, 09 de setembro de 2011
Mariana Fabre <br> Reportagem Local 
Nos últimos cinco anos anos, o município de Bandeirantes, no Norte Pioneiro do Paraná, tem vivenciado uma expansão assintosa da produção de hortaliças. Segundo a engenheira agrônoma do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Ana Paula Bueno de Godoi Cheida, a retomada de preços favoráveis das hortaliças, a produção constante ao longo do ano e a possibilidade de retorno rápido impulsionaram esse crescimento, principalmente com produção em estufas. Atualmente, a cidade possui cerca de 400 estufas em funcionamento.
Apesar da grande diversidade de cultivos, as lavouras de tomate, pepino e pimentão são as principais produzidas em Bandeirantes. Ana Paula afirma que a média de produtividade em estufa de mil metros quadrados é de 600 caixas de tomate, 1,2 mil caixas de pimentão ou 500 caixas de pepino. Nessa semana, a caixa de tomate era comercializada a R$ 65 para o produtor, enquando a de pepino a R$ 40 e a caixa de pimentão a R$ 50. A agrônoma revela que o custo de produção atinge aproximadamente 45% desses valores. ''A rentabilidade é alta se comparada à uma lavoura de grãos. A olericultura é uma forma de segurar o produtor no campo'', ressalta Ana Paula.
A agrônoma do Emater lembra que o Conselho Municipal de Agricultura posicionou a olericultura como prioridade em Bandeirantes, incentivando a manutenção das estradas rurais e agilizando os financiamentos por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). ''Todo dia recebo quase dois pedidos de financiamento para construção de estufas'', revela. Segundo ela, a construção de uma estufa de mil metros quadrados com sistema de irrigação varia de R$ 10 mil a R$ 12 mil. Na cidade, há desde pequenos agricultores familiares até grandes produtores de hortaliças.
O secretário municipal de Agricultura de Bandeirantes, André Luiz Teodoro da Silva, afirma que o município incentiva a diversificação da produção para os pequenos agricultores. ''A estimativa é de que até 2014 a queima de cana-de-açúcar deve diminuir. Por isso, acreditamos que é melhor capacitar os trabalhadores para que fiquem no campo'', avalia Silva. Segundo ele, dos 520 km de estradas rurais de Bandeirantes, 300 km foram readequados e receberam cascalho como incentivo a olericultura. O secretário revela que o município busca um centro de distribuição próprio para escoar a produção.
Paraná
O Paraná produziu, na safra 2008/09, 2,7 milhões de toneladas de olerícolas, em uma área total de 103.136 hectares. O Estado possui aproximadamente 48 mil produtores de hortaliças. De acordo com o coordenador estadual de olericultura do Emater, Iniberto Hamerschmidt, as hortaliças representam 6% do Valor Bruto da Produção do Paraná, o equivalente a aproximadamente R$ 2,3 bilhões. Somente a Região Metropolitana de Curitiba (RMC) é responsável por 45% da produção estadual de olerícolas. A região Norte produz 21% do total, a Oeste e Sudoeste, 12%, e a região Noroeste, cerca de 4% da produção paranaense.
Hamerschmidt explica que a rentabilidade das olerícolas varia muito conforme a safra e a cultura. Segundo ele, as lavouras paranaenses abastecem o mercado interno e também seguem para São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. ''Nos últimos 10 anos, a produção olerícola paranaense cresceu cerca de 1 milhão de toneladas'', salienta, lembrando que em 2000 a safra de hortaliças foi de 1,7 milhão de toneladas.


