Olericultura ajuda a melhorar padrão
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sexta-feira, 25 de julho de 2003
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba O perfil do agricultor que vive da olericultura vem mudando nos últimos anos. Atualmente, a atividade proporciona renda para a família que trabalha no campo e confortos da vida moderna. Em municípios como São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, onde a olericultura é uma das principais atividades econômicas, a mudança de padrão do produtor agrícola e sua família é visível.
As antigas moradias de madeira já dão lugar para as modernas e espaçosas casas de alvenaria. As carroças de ''verdureiro'' foram substituidas pelas picapes, caminhões e carros, e quase todas as propriedades são mecanizadas e equipadas com irrigação. ''Dentro de casa, o agricultor conta com todo o conforto dos eletrodomésticos modernos, sem nada a dever para quem mora na cidade. A atividade se profissionalizou e quem permaneceu no campo ganhou competitividade e eficiência'', disse o técnico da Emater de São José dos Pinhais, Paulino Nogueira Magalhães.
Atualmente numa área média de dez hectares, um horticultor fatura de R$ 60 mil a R$ 100 mil por ano, em média. Magalhães salienta que a atividade é familiar e dificilmente o produtor recorre a serviços de terceiros, trabalhando sempre com a mulher e os filhos. A renda alta vem sendo obtida graças à comercialização direta nas Centrais de Abastecimento do Paraná (Ceasa), com as grandes redes de supermercados de Curitiba e na venda para atacadistas de outros estados.
Esse avanço vem sendo conquistado graças à mudança de padrão de alimentação dos consumidores. Atualmente, o brasileiro vem diversificando sua alimentação, e as verduras e legumes entraram no cardápio diário em substituição ao tradicional arroz, feijão, bife e batatas fritas. O setor já cresceu bastante nos últimos dez anos e tem potencial para se expandir ainda mais, disse o técnico. ''Quando melhorar a renda do brasileiro o consumo de hortaliças vai aumentar.''
O agricultor Ivo Cetenarski, 48 anos, é a prova da ''evolução'' do olericultor. Em área de dez hectares na Colônia Muricy, em São José dos Pinhais, ele produz cerca de quatro ciclos de hortaliças e legumes por ano. Cultiva beterraba, couve-flor, acelga, nabo, cenoura. Com esses produtos consegue obter cerca de 40% de lucro, renda que investe na propriedade e no conforto da família a mulher e duas filhas menores que o ajudam na lavoura. Ele prioriza a educação para as meninas, que ajudam mais em período de férias.
A casa de Ceternaski é espaçosa, com um quarto para cada filha e tem todo o conforto. ''Só não tem microondas porque não fez falta'', disse o agricultor. A propriedade não tem acesso ao serviço de telefonia fixa, mas a família recorre ao celular rural. Também tem acesso a serviços de água e luz. Ceternaski, como os demais agricultores da região, dispõem de carro próprio e de máquinas para o serviço na lavoura.


