Oferta mundial pode ser reduzida
A demanda mundial de milho é de 550 milhões de toneladas. Podem faltar 50 milhões de tA intenção demonstrada até agora pelos produtores, de aumentarem o plantio de soja em detrimento do milho, faz crescer as chances de desabastecimento no mercado mundial do cereal. O Departamento de Economia (Deral) da Secretaria do Estado da Agricultura e do Abastecimento está prevendo uma redução de 370 mil hectares no plantio do milho, o que equivale a 20% da safra passada de verão.
Se esta tendência se confirmar, o Paraná colherá 1,3 milhão de toneladas a menos do grão, e para suprir a demanda, o Estado terá que importar o produto justamente na época em que o mercado estará em alta, com prejuízos para todos. A redução no plantio do milho é considerada uma imprudência pelo agrônomo Jorge Proença, do Departamento Técnico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), já que a safra do grão no Hemisfério Norte ainda está em andamento e enquanto a colheita não estiver depositada, muitas mudanças podem ocorrer.
Quebra mundialSegundo Proença, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou um relatório prevendo uma queda de 6,5% na safra norte-americana devido a problemas climáticos. Seriam 15 milhões de toneladas a menos, de uma safra inicialmente prevista de 230 milhões de toneladas. O USDA prevê quebra de 15 milhões de toneladas também na China, que deveria colher 102 milhões de toneladas se a safra fosse normal.
Já a Argentina deve diminuir seu plantio em 500 mil hectares. Serão 2 milhões de toneladas a menos. Confirmando-se tudo isto, somente nestes países a redução da produção de milho será de 32 milhões de sacas, quase a mesma quantidade (34 milhões de sacas) da última safra brasileira.
O agrônomo da FAEP ressalta, porém, que o relatório elaborado pelos norte-americanos pode ser apenas uma cortina para encobrir os verdadeiros números da safra americana e, assim, valorizar o produto dos Estados Unidos. Mas se o relatório for confiável, pode faltar milho para atender a demanda mundial de 550 milhões de toneladas, tendo em vista que a oferta ficará 50 milhões de toneladas mais baixa.
Como os americanos produzem 40% da oferta mundial de milho, da safra deles depende o futuro dos preços da safra brasileira: muito milho nos EUA, preço baixo no Brasil e no mundo; pouco milho nos EUA, melhor para quem plantar milho aqui, diz Proença. No momento parece ser esta a tendência.
Bom negócioNos últimos dois anos, segundo o agrônomo, a soja tem um mercado favorável ao produtor, mas a previsão para março e abril do ano que vem é que a saca (60 kg) estará valendo um dólar a menos do que agora (de US$12 para US$11). O preço atual da saca de milho é de R$7, mas enquanto a soja produz em média 50 sacas/ha, o milho produz o dobro: 100 sacas/ha. Assim, o milho gera mais dinheiro por hectare.
Jorge Proença diz que se o agricultor agir de forma empresarial, considerando principalmente o conhecimento de seus custos e preocupação com a produtividade, sob um raciocínio simples, mas lógico, pode-se afirmar que o cultivo do milho, mesmo sem os atrativos da soja, ainda é um bom negócio. Permite alguma segurança, como a diversificação de atividades, quando não como atividade principal, observa.





