ArquivoOs produtores paranaenses vão colocar no mercado de 4 a 4,5 milhões de sacas de sementes de sojaAs tendências de plantio apontam para o crescimento de algumas culturas na próxima safra, como a soja, o arroz de sequeiro e o feijão. No Paraná, o algodão terá incentivos do Governo, e isto deverá animar antigos e novos produtores a investirem na produção da fibra. Mesmo assim, não está prevista grande falta de sementes e insumos.
No caso da soja, por exemplo, estima-se um aumento de área entre 10 e 15%, e a perspectiva da Associação Paranaense de Produtores de Sementes e Mudas (Apasem) é que o abastecimento de material de plantio seja tranquilo, podendo haver apenas um certo desequilíbrio entre as cultivares, como falta de algumas mais procuradas e sobra de outras. ‘‘Os produtores de sementes deverão colocar no mercado de 4 a 4,5 milhões de sacas (de 50 kg) das variedades disponíveis comercialmente’’, afirma o presidente da Apasem, Valdir Vergani Galera.
Segundo ele, deste volume, cerca de dois milhões poderão receber o selo Qualidade Paraná, um programa conjunto do Governo do Estado e Apasem, a ser lançado provavelmente na primeira quinzena de setembro, quando começarão a ser comercializadas as sementes. Galera explica que o objetivo do selo é oferecer algumas garantias para quem planta, como a de que o material foi produzido dentro de rígidos padrões de qualidade e de que as sementes possuem, no mínimo, 85% de poder de germinação (o índice exigido, normalmente, é de 80%).
Bom estoqueEm Londrina, a Cooperativa Agropecuária Vale do Tibagi (Valcoop) já se programou para um possível aumento de área de soja, e de acordo com Jelsumino Vareschi, responsável pelo setor de compra de insumos, a cooperativa conseguiu um estoque de sementes que deverá ser suficiente para suprir a demanda esperada. ‘‘Se acontecer de faltar, será daquelas variedades que têm volume menor no mercado, como a BR 37, Ocepar 13, FT 5 e BR 4’’, acredita Vareschi.
Estima-se que aproximadamente 70% da soja plantada hoje no País sejam de sementes certificadas, obtidas através de sementes básicas, produzidas por órgãos como Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Apenas os produtores mais tecnificados têm condições de usar sementes próprias e garantir um bom resultado final.
Só a Embrapa é responsável por 46 a 50% da produção de sementes básicas no País, além de produzir mudas de manga, coco, caju, uva, banana e abacaxi. ‘‘Estaremos dispondo de aproximadamente 11 mil toneladas de sementes de 22 espécies de 116 cultivares para a próxima safra’’, afirma José Rozalvo Andriguetto, gerente geral da Embrapa Sementes Básicas, órgão sediado em Brasília (DF).
Resistência ao cancroAndriguetto informa que as principais cultivares são a Embrapa 59, 60 e 66 (para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina); Embrapa 58, 59, 61 e 62 (para o Paraná); Embrapa 61 e 64 (para o Mato Grosso do Sul); MT BR-45 Paiaguás, MT BR-50 Parecis, MT BR-51 Xingu e MT BR-49 Pioneira (para o Mato Grosso); BR EMGOPA 314 Garça Branca (para Goiás); Embrapa 63 Mirador (para o Maranhão e Piauí) e MG BR-46 Conquista (para Minas Gerais).
Todas estas cultivares são resistentes ao cancro-da-haste. Para Minas Gerais, nos próximos anos, estará disponível a cultivar Renascença, resistente ao nematóide-de-cisto (raça nº 3).
Com o aumento previsto no plantio de soja e arroz de sequeiro, Rozalvo Andriguetto acredita que poderá haver ‘‘uma pequena demanda reprimida’’ de sementes destas culturas. Fora isso, ‘‘o mercado estará abastecido e os preços das sementes deverão permanecer estáveis, não detectando tendência à falta do insumo’’.
Em relação à quantidade de semente produzida, o gerente da Embrapa esclarece que a oferta não tem aumentado devido a fatores como aumento da produtividade por área plantada, cultivares com boa resposta às novas tecnologias e taxa de utilização de semente sem crescimento devido ao baixo poder aquisitivo dos pequenos produtores. A exceção, mais uma vez, fica por conta da soja, que além do aumento de produtividade, tem registrado a incorporação de novas áreas ao sistema de plantio.
A Embrapa Soja, em Londrina, terá disponível para os produtores de sementes na próxima safra três mil sacas da cultivar BR 16; três mil sacas da Embrapa 48 (que são materiais mais antigos); 2,3 mil sacas da Embrapa 58; 10,2 mil sacas da Embrapa 59; 2,2 mil sacas da Embrapa 60; 1,1 mil sacas da Embrapa 61 e 500 sacas da Embrapa 62, que são os lançamentos da empresa.

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