O segredoO produtor Rivaldo Moritz, que planta a fruta há oito anos: sem boas mudas, não adianta adubarEmbora seja uma boa opção de inverno para o pequeno produtor, o morango ainda é pouco cultivado em Londrina, onde mais da metade do volume consumido vem de outras regiões. A explicação pode estar na falta de tradição e de conhecimento da cultura, o que torna municípios como Pinhalão (no Norte Pioneiro) grandes exportadores da fruta.
‘‘Se a produção local fosse maior, o controle fitossanitário seria muito mais fácil’’, observa o técnico do escritório local da Emater em Londrina, Carlindo Bizzani. Segundo ele, além de Pinhalão, municípios como Atibaia e Jundiaí, em São Paulo, e alguns do Sul de Minas abastecem o mercado londrinense, principalmente no começo da safra, quando o frio ainda não chegou por aqui e as plantas nem começaram a florescer.
Carlindo informa que o município de Londrina tem aproximadamente 30 produtores, que plantam uma área em torno de cinco hectares. Isto resulta em uma produção entre 150 e 200 mil quilos por safra. Para estimular o plantio e o consumo, a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento de Londrina e a Emater estão promovendo a 4ª Feira do Morango, que começou sexta-feira da semana passada (dia 8) e terminará no início do mês que vem. A feira conta com a participação de 12 produtores, que se revezarão nas cinco barracas espalhadas pela Praça Marechal Floriano Peixoto, no centro da cidade.

Milton DóriaUm dos maiores investimentos da cultura é com mão-de-obra. Colheita é feita até duas vezes por diaA intenção dos organizadores é que sejam comercializados aproximadamente mil quilos de morango por dia, além de geléias, tortas, sucos e até vasinhos com plantas dando frutos e flores. Mesmo que não seja o principal canal de comercialização dos produtores - até porque dura apenas uma parte da safra -, a feira serve como meio de estimular o consumo e aproximar produtor e consumidor, sem a presença de intermediários.
‘‘A venda direta ao público é uma forma de estabilizar os preços, na medida em que o produtor pode ter uma margem maior de lucro e o consumidor, por sua vez, pode comprar por um preço menor’’, observa Carlindo Bizzani. Ele ressalta ainda outras vantagens oferecidas pela feira: a divulgação da produção e do potencial da região para produzir o fruto e a possibilidade do pagamento à vista para o fruticultor.
Maior produtividadeO produtor Rivaldo Moritz, que participa do evento há três anos, vende a maior parte da sua produção no Mercadão Londrina, localizado no Jardim Ideal (zona Leste da cidade) e na Central de Abastecimento (Ceasa) de Londrina. Na Feira do Morango, segundo ele, é possível comercializar cerca de 30% do volume produzido.
Há oito anos plantando morango como principal cultura de inverno, Rivaldo aumentou de 15 mil para 35 mil mudas este ano, apostando no potencial produtivo da variedade dover. ‘‘Eu plantei algumas mudas experimentalmente no ano passado, e gostei do resultado. Além da melhor produtividade, é mais resistente a doenças, permite um manejo mais simples e os frutos são maiores e mais firmes’’, informa, lembrando que em anos anteriores a produtividade ficava entre 500 e 700 gramas por planta - nesta safra tudo indica que vai atingir um índice entre 800 e 1000 gramas por planta.
Para garantir uma boa produção, o produtor toma cuidado especial na hora de adquirir as mudas, que representam, para ele, 80% das chances de sucesso na cultura. ‘‘Não adianta investir em adubação, se a planta não for sadia’’, exemplifica. E é na adubação (orgânica e química) e mão-de-obra que estão, na opinião de Rivaldo, a maior parte do custo de produção do morango. Por ser uma fruta muito sensível, exige cuidado especial na aplicação dos adubos. A aplicação deve ser feita através de um buraco especial na lona, de modo que o produto não entre em contato com folhas e frutos.
Cultura exigenteQuando está em plena produção, o morango exige muita mão-de-obra, já que, além de cuidadosa, a colheita pode ser feita até duas vezes por dia. Atualmente Rivaldo trabalha com mais 14 pessoas, em uma área de mais ou menos um hectare. Mesmo assim, ele acha que vale a pena adotar a cultura como fonte de renda nesta época do ano. ‘‘Nunca tive problemas na comercialização, e hoje em dia já tenho os clientes fiéis, que se acostumaram com o meu produto’’, diz.
Nem todos, porém, vivem a mesma situação. A concorrência com o produto de fora ainda atrapalha os negócios de produtores como Rafael Yoshiyuki Kasuya, que planta morango há cinco anos e nesta safra plantou só 30% do que costumava plantar em anos anteriores. Principais motivos, segundo ele: dificuldade de conseguir boas mudas, grande exigência de mão-de-obra e preços não compatíveis com o custo de produção, em função da concorrência com o produto externo.
Com a diminuição na área de morango (atualmente em 1.800 metros quadrados), Rafael foi obrigado a diversificar a produção, e passou a plantar também alface americana. Mas não pretende abandonar o morango: ‘‘Ainda é uma boa alternativa para o pequeno produtor, por ser uma fruta de inverno, quando a ão-de-obra está ociosa na propriedade.’’

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