Oeste aposta em salto de consumo da carne
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de dezembro de 2010
Luciano Barros<BR> Especial para a FOLHA 
Mercado para a caprinocultura não falta na região Oeste do Paraná. No Calendário Regional de Eventos Gastronômicos da Associação dos Municípios do Oeste do Paraná (Amop), das 128 festas típicas regionais catalogadas, 16 são à base dessa carne, sinal do encanto pela maciez e sabor de um produto apreciado principalmente por consumidores classes A e B. De acordo com o Núcleo Regional da Seab, o plantel oficial de caprinos e ovinos na região é de aproximadamente 20 mil cabeças, mas a estimativa é que o número seja maior, já que apenas 55 produtores são associados à entidade que reúne os criadores das duas atividades.
É necessário antes identificar a diferença entre cabrito, carneiro e cordeiro. O cordeiro é o ovino de até quatro meses, filhote do carneiro e da ovelha, enquanto que o cabrito é o animal da mesma idade, resultado da cruza do bode e da cabra. Mesmo com essas diferenças, segundo pesquisas, ambas as carnes são as mais saudáveis do grupo das vermelhas, pois possuem menos gordura, mais proteína, mais ferro e ainda são ricas em vitaminas do complexo B.
A existência de apenas um frigorífico especializado no ramo, criado por uma cooperativa que atende apenas à demanda de Cascavel, abre brecha para o abate clandestino e dificulta que a carne chegue à mesa do oestino a preços convidativos. Nos supermercados de Cascavel, um quilo de paleta de cabrito custa 30% a mais que o preço de um quilo de costela bovina, em média.
O produtor Valdemir Ordigui, 41 anos, de Palotina (distante 100 km de Cascavel), é especializado em caprinocultura de raças e aposta no potencial da atividade no Estado. ''Vejo um grande horizonte para a caprinocultura por causa da rusticidade do animal, o que facilita seu manejo, e pela qualidade da carne'', diz. Ele possui um plantel de 180 animais da raça boer - caracterizada pela rusticidade e rendimento da carne -, todos de origem certificada. Segundo Ordiguini, o que falta é uma campanha de incentivo ao consumo, tal qual acontece com a avicultura e a suinocultura. ''Os caprinocultores não são unidos e falta incentivo do governo'', reclama. No entanto, ele afirma que a tendência é caminhar para uma atividade cada vez mais coesa e organizada. ''Produzimos a carne do futuro'', projeta.
De acordo com o produtor e médico veterinário Paulo César Vallini, membro da diretoria da Sociedade Rural do Oeste do Paraná (SRO), ao longo dos últimos seis anos a instituição vem apostando na genética animal como ferramenta para o fortalecimento da caprinocultura. ''Consumidores e criadores de São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais têm nos procurado em busca da carne para abate e não temos podido atender por causa da oferta reduzida.'' O mercado, como afirma, é muito promissor. Na última edição da Expovel - Exposição-Feira Comercial, Industrial e Agropecuária de Cascavel, realizada em novembro, 300 animais foram expostos e comercializados.


