Ocepar quer presença da indústria
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sábado, 06 de dezembro de 2003
Oswaldo Petrin<br> Reportagem Local 
A sugestão é do diretor da Ocepar, Nelson Costa. As indústrias devem fazer o mercado andar, realizando suas compras. Ao ser entrevistado dias atrás em Rolândia, Costa lamentou que a comercialização não esteja fluindo como se deseja.
Nas entressafras, ou antes do início do ano agrícola, Governo e indústrias apelam aos produtores para que plantem e, invariavelmente, acenam com bom mercado e algumas garantias. Na hora da comercialização, o aumento da produção acaba prejudicando o próprio agricultor.
Se alguém pensa que este vício cinquentenário mudou, está enganado. O problema se repete, este ano, com o milho e o trigo na mesma época. A lei da oferta e procura não beneficia a ponta final, o consumidor, mas arrebenta a ponta da produção.
Sobre o assunto o diretor da Ocepar, Nelson Costa, disse que ''as cooperativas sentem-se constrangidas quando têm que falar sobre comercialização de milho. ''Na realidade, houve um apelo aos produtores, que atenderam prontamente ao chamamento. Mas é sempre a mesma coisa: quando se produz um grão a mais do que o mercado suporta, é o produtor que acaba sendo prejudicado em termos de preço'' - lamentou.
Costa disse que as indústrias devem olhar melhor para o mercado. ''Estamos aí com um trigo que corresponde à metade da necessidade nacional, mas o produtor está sem preço; na verdade ficamos 40 dias sem preço - porque não havia comprador. ''Num momento como esse é necessário que a indústria apoie o produtor, afinal, ele faz parte da solução; ele correspondeu ao apelo para produzir a matéria-prima''.
O milho passa por uma situação semelhante a do trigo. ''Governo e indústria pediram para plantar trigo e, agora, na hora da colheita, preferem importar da Argentina. Não entendemos esse processo'', afirma.
O trigo brasileiro, especialmente o do Paraná, é tão bom quanto o da Argentina, que tem um problema sério: a mistura chega a ter entre 4% e 5% de quebra em função de trigo misturado com impurezas. O trigo paranaense é tão bom que as coopertrivas fizeram um pool e estão exportando até para países da Europa.
Para Costa, está faltando, no caso do trigo, que as indústrias procurem se comprometer com a produção, que elas socorram o produtor e deixem de comprar o trigo importado pelo menos no período da colheita.
No caso do milho, Costa lembra que houve uma produção extraordinária: chegamos a 47 milhões de t. A expectativa era de exportar 6 a 7 milhões de t. Mas isto não está se confirmando porque o dólar está muito baixo. Na prática estamos com um volume de 5 milhões de t represadas porque o dólar não deixou esse produto ir pra a exportação. A expectativa então é que a safra de verão será menor e o excedente deve ser consumido no primeiro semestre do ano que vem.
Mas as cooperativas estão preocupadas com outro problema, além do preço. É que no final de janeiro começam as primeiras colheitas e vai faltar espaço para estocagem.


