O técnico econômico da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Flávio Turra, afirma que a economia no gasto com a subvenção ao seguro agrícola que o governo federal faz hoje pode gerar uma conta muito maior a se pagar no futuro. "Existe o risco de ter de pagar muito mais em indenizações no Proagro", disse, ao citar o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária, que exime os agricultores de pagar operações de crédito rural de custeio em caso de perdas por fenômenos naturais.
Turra afirma que a tendência é que o governo empurre o produtor para o Proagro. O setor, explica, pedia R$ 1 bilhão disponível para o seguro na próxima safra e já havia se contentado com R$ 741,6 milhões. "É por isso que o setor trabalha para desbloquear o valor que foi contingenciado, porque pode provocar inadimplência de produtores em caso de frustração de safra", contou. Nos Estados Unidos, o economista lembra que o subsídio chega a 80% do prêmio pago às seguradoras.
Para o supervisor de crédito e cobrança da Integrada Cooperativa Agroindustrial, Nilton Avancini, o corte no valor gera risco maior para culturas de verão. "Quem chega primeiro terá acesso ao recurso e quem chegar depois não conseguirá", apostou.
Avancini considera que o produtor de soja seja mais resistente à adesão ao seguro, mas lembra que tem havido aumento da procura por cobertura. "Eles estão vendo que compensa." (F.G.)

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