O sustento que vem da pamonha
Há cinco anos, a renda de Anderson de Souza Bertegani e sua família vem do milho. ''Comecei a trabalhar com meu ex-patrão vendendo pamonha na feira há sete anos. Dois anos depois ele desistiu do negócio e vendeu o ponto. Eu comprei e é daqui que ganho o pão de cada dia'', conta Bertegani. Ele faz feira cinco vezes por semana e a barraca que vende 'apenas' pamonha e curau e é o maior sucesso.
''Tem cliente que aparece toda semana, tem gente que vai em mais de uma feira. Alguns compram para levar para outras cidades. Teve cliente que comprou e levou para os Estados Unidos'', revela o feirante. A pamonha, segundo ele, é o produto preferido. Entre as doces, salgadas, recheadas com queijo, goiabada ou goiabada com queijo, são vendidas ao menos 100 unidades por feira. Algumas vezes são comercializadas umas 300 pamonhas. E o cliente tem que chegar cedo, senão fica sem. Normalmente, o produto acaba por volta das 10 horas. Cada pamonha custa R$ 2,50.
O trabalho não é fácil. O feirante conta que acorda todo dia muito cedo, prepara e embala o produto em casa. Na feira, ele cozinha a pamonha e a vende quentinha. O milho para preparar a pamonha e o curau são buscados direto da roça. São consumidas entre 70 a 80 caixas por semana, em cada uma delas há cerca de 50 espigas.
Antes de assumir a tarefa sozinho, Bertegani conta que participou de um curso de manipulação de alimentos e adequou a cozinha de casa dentro das normas da Anvisa para produzir os produtos. Apesar das dificuldades da função, o feirante afirma que não deixa a barraca por nada. ''É desse grão que eu e minha família sobrevivemos. Por enquanto, eu não troco a renda do milho por nada'', afirma o feirante.
Entre os clientes assíduos da barraca da pamonha está Danilo Frisselli. ''Venho três vezes por semana comprar pamonha. Eu acompanho a barraca nas mais variadas feiras'', brinca ele, que tem preferência pela pamonha doce. Cada vez que aparece compra mais de uma unidade. ''Levo para a família porque todo mundo gosta: a esposa, filho, nora, neto. É uma comida nutritiva, saudável'', diz Frisselli, acrescentando que adora tudo que é fetio a partir do milho, desde o produto cozido até bolo de fubá, curau e outras receitas.
A dona de casa Juliana Trigueiros é outra cliente que aparece toda semana. ''Essa pamonha é uma das melhores que eu já comi na vida'', elogia. Juliana comenta que além dela, os filhos - um de oito e outro de 10 anos - adoram pamonha. Juliana admite que os alimentos à base de milho são calóricos, porém muito nutritivos. ''Devem ser incluídos na alimentação, principalmente das crianças'', conclui. (E.Z.)





