O pesquisador Sandro Britto não gosta mesmo de pescar, mas nos últimos 10 anos passou boa parte do seu tempo de olho nos peixes do Rio Paranapanema. Em setembro do ano passado, finalizou um estudo com 155 espécies encontradas por lá. O lançamento do catálogo aconteceu esta semana em Londrina, na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Como o rio está tanto no Paraná quanto em São Paulo, o catálogo também foi lançado em terras paulistas, na Unesp em Assis.
''Era para ser de uso interno da Duke Energy (companhia que comercializa energia elétrica ao longo do rio Paranapanema), mas acabou se tornando fonte de informação para estudantes, pesquisadores e pescadores'', explica Sandro Britto, que levou cerca de três anos na produção do catálogo, patrocinado pela Duke Energy e que está sendo distribuido para bibliotecas municipais, prefeituras e universidades da região onde a companhia atua.
Mesmo sem gostar da pescaria, Britto tem uma das qualidades essenciais para o bom pescador, a paciência. ''Foi um trabalho de campo intenso fazendo as coletas, mas depois foi preciso muita paciência para organizar tudo'', lembra o pesquisador. Além de descobrir e catalogar as 155 espécies, o catálogo coordenado por Britto tabém traz notas a respeito dos tamanhos de cada peixe (pequenos até 20 cm, médios de 20 a 50 cm e os cobiçados grandes, maiores de 50 cm).
A preocupação ambiental é logo percebida nas indicações do estado de conservação de cada espécie. São três divisões, facilmente encontrada, amostrada em baixa densidade ou em pontos restritos/tributários ou raramente encontrada. ''É uma fonte de informação para os pescadores, no sentido deles preservarem as espécies'', avisa Britto. Outra dica para o pessoal das varas e iscas é, de acordo com o pesquisador, que os peixes de grande porte são encontrados na parte superior da bacia do Paranapanema.
Os peixes coletados e catalogados por Britto estão hoje no Museu de Zoologia da UEL. Durante o trabalho, o pesquisador contou com a colaboração dos professores da UEL Oscar Shibatta e Mário Luiz Orsi, José Eurico Cyrino, da Esalq/USP e Francisco Langeani, da Unesp/São José do Rio Preto.
Para Sandro Britto, a pesquisa ainda não terminou. De setembro para cá, a previsão é de que o Paranapanema já tenha cerca de 200 tipos de espécies. ''Um novo trabalho deverá ser feito, mas aí será direcionado para os acadêmicos'', explica.

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