O brangus é uma raça sintética, resultante do cruzamento da raça européia aberdeen angus com as zebuínas brahman e nelore, e introduzida no Estado em 1987. ‘‘Nas condições que nós temos de solo pobre, de clima relativamente alto, esperamos ter um animal adaptado à região e produtivo’’, diz o veterinário Mário Pacheco, sócio de uma empresa de projetos e consultoria, com sede em Campo Grande, e um dos incentivadores da criação do brangus no Cerrado.
O aberdeen angus, segundo ele, possui alta fertilidade, precocidade e boa adaptabilidade, enquanto o nelore possui rusticidade, boa carcaça e longevidade. ‘‘Juntando as qualidades dessas duas raças, nós vamos formar um animal adaptado, produtivo e precoce, cuja economicidade será capaz de superar os demais’’, acredita Mário Pompeo.
Abate mais cedo O veterinário explica que a redução da idade de abate seria um dos benefícios que o pecuarista teria com o brangus. A média de idade de abate do brangus varia entre dois anos e dois anos e meio. O nelore é abatido entre três e meio e quatro anos.
Na opinião de Pompeo, a idade para o primeiro parto seria o segundo benefício que o pecuarista teria com o brangus. ‘‘É possível conseguir-se isso entre dois a três anos’’, diz. A taxa de fertilidde do animal também é apontada por ele como mais um incentivo ao pecuarista. ‘‘Todos os cruzamentos apresentam uma taxa de fertilidade superior à raça original’’, salienta o veterinário. Ele acrescenta que ‘‘potencializado pelo nelore, esse animal adquire uma rusticidade que chega a superar o nelore.’’
Os brangus que estão sendo trazidos para o Mato Grosso do Sul são produzidos na região do Chaco argentino. No M.S., aproximadamente 50 produtores já estão criando o brangus. Produzir, industrializar e comercializar em quantidade e qualidade a carne do animal no Brasil é um dos objetivos do grupo argentino que pesquisa e cria o brangus há décadas e com o qual o veterinário Mário Pompeo está fazendo parceria.
‘‘Para atender o mercado com padrão de qualidade e com frequência, é necessário a gente colocar no mercado uma média de dois mil touros por ano, para dentro de sete anos nos possibilitar a comercialização de 100 mil bois por ano’’, calcula, garantindo que a carne do brangus ‘‘é de excelente qualidade.’’
Pastagem O veterinário Mário Pompeo, criador de brangus, é também um divulgador do método ‘‘Voisin’’, que é um sistema intensivo de pastagem, utilizado por muitos pecuaristas como uma alternativa viável para vencer a baixa fertilidade do solo de algumas regiões do Mato Grosso do Sul.
Pelo método Voisin, lembra o veterinário, a área de pastoreio é subdividida e ‘‘deve estar em concordância de produção da fazenda, com as estruturas existentes e com as necessidades de descanso que as pastagens requerem’’, comenta.
Ele diz que as parcelas devem ser de no mínimo um hectare e no máximo de oito hectares, ‘‘e em quantidade que permita o descanso de aproximadamente 40 dias’’. O veterinário observa, porém, que é preciso fazer um plano alimentar para a seca, ‘‘estabelecendo as condições de reserva de parcelas para serem utilizadas neste período.’’
Segundo o veterinário Mário Pompeo, em propriedades onde já existe um sistema de captação e armazenamento de água, e alguns materiais para a construção das cercas, a implantação do sistema absorve um investimento que varia entre R$ 80,00 e R$ 85,00 por hectare.
Outros métodos, segundo ele, chegam a acustar até R$ 350,00 por hectare, só que em cinco anos, no máximo, o pecuarista será obrigado a desembolsar a mesma quantia para repetir o mesmo projeto, ‘‘uma vez que o pasto se encontrará na mesma situação de antigamente’’.
No método Voisin, a área é subdividida por cerca elétrica. A cerca deve possuir corrente elétrica gerada por eletrificadores de alta potência, que produzem uma corrente alternada de alta voltagem, normalmente acima de 8 mil volts, porém de baixissima amperagem, ‘‘sem risco pasra a saúde humana e dos animais.’’
‘‘Eliminando a possibilidade dos animais coratarem os brotos das pastagens e conduzindo os anamais para retornarem nas parcelas que estejam no seu ponto ótimo e ideal de pastoreio, temos um aproveitamento acima de oitenta por cento doalimento produzido, o que permite no primeiro ano quase dobrar a lotação existente anteriormente com um maior ganho de peso’’, informa o veterinário.
Mário Pacheco agumenta que nométodo Voisin o animal chega a ganhar 500 gramas de peso por dia, contra 300 gramas a 350 gr/dia anteriormente.

mockup