O risco que vem do céu
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sexta-feira, 05 de novembro de 2004
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
A posição geográfica, combinada a uma série de fatores meteorológicos que atuam na formação de nuvens de tempestade, situa o Brasil como um dos países mais propícios à incidência de raios no mundo. Enquanto o índice de ocorrência de descargas elétricas na Austrália varia de 0,2 a 4 raios por quilômetro quadrado, em Minas Gerais, por exemplo, a média anual varia entre 1 e 11 raios por quilômetro quadrado.
No Paraná não é diferente. Segundo o meteorologista do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) Marco Antonio Rodrigues Jusevicius, por ano, são registrados de 8 e 10 raios por quilômetro quadrado, com destaque para o triângulo formado pelas cidades de Cascavel, Guarapuava e Maringá, no oeste do Estado.
Jusevicius afirma que as descargas elétricas ocorrem principalmente durante o verão, quando a presença de nuvens de tempestade é maior que em outras estações. De acordo com o meteorologista, as ocorrências são armazenadas em um sistema de dados existente desde 1996, que engloba diversos estados brasileiros, a chamada Rede Integrada Nacional de Detecção de Descargas Atmosféricas (Rindat). ''A Rindat oferece dados seguros sobre a incidência de raios em tempo real'', afirmou.
Poder de destruição O raio sempre procura o caminho de menor resistência entre a nuvem e a terra, por isso, pontos altos e pontiagudos favorecem o início da descarga, como torres, chaminés, topos de montanhas, árvores isoladas, casas construídas em descampados, edifícios altos, antenas externas e redes elétricas.
Na zona rural o problema persiste. Se um trabalhador estiver arando a terra ou dirigindo um trator sem capota no momento da tempestade, ele corre riscos, pois em uma cabine sem proteção, a cabeça é o ponto mais alto.
O poder destrutivo do raio é enorme, já que a intensidade da descarga pode variar de 2 mil a 300 mil ampéres. Em Cambé (13 km a oeste de Londrina), o produtor Argemiro Bordini perdeu 23 cabeças de gado depois que um raio incidiu em uma árvore, que rachou ao meio, atingindo um boi, 20 vacas e dois bezerros que se abrigavam no local. ''O prejuízo foi de cerca de R$ 10 mil'', calculou.
Na época, Bordini até pensou em instalar um sistema de pára-raios na propriedade, mas desistiu em função do alto preço. ''O orçamento girava em torno de R$ 2 mil e na época não pude dispor desta quantia. Depois, simplesmente desisti porque não houve mais incidência de raios por aqui'', disse.
O mesmo ocorreu na propriedade de Antônio Roque de Oliveira, no distrito de Maravilha, em Londrina. O filho do agricultor, Fábio Augusto Ferraz de Oliveira, conta que um raio atingiu uma árvore e seis vacas que estavam próximas sofreram um choque elétrico. ''Ainda tentamos reavivar os animais, mas já era tarde'', declarou. Segundo Oliveira, eles sangraram o gado e aproveitaram parte da carne para diminuir os prejuízos.


