Curitiba - O Censo Agropecuário de 2006 divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta semana mostra o retrato do campo. No Paraná houve um aumento do número de estabelecimentos. Em 2006, existiam 371.051 propriedades, 1.176 a mais que no censo de 1996. O supervisor estadual de pesquisas agropecuárias do IBGE, Jorge Mryczka, destaca que esse resultado modifica o quadro de tendência de redução de estabelecimentos que aconteceu entre 1985 e 1996, período no qual o Estado tinha perdido 96.522 estabelecimentos. Para ele, os motivos que levaram a este cenário foram as políticas públicas de estímulo à fixação do produtor no campo, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), Programa Trator Solidário e Fundo de Aval.
Do total de estabelecimentos agrícolas, 81,6% pertence à agricultura familiar ou 302.907 propriedades, no entanto, eles representam apenas 27,8% da área. Já os estabelecimentos comerciais somam 68.144 e correspondem a 18,4% do total detendo 72,2% da área total.
No Estado, as propriedades de agricultura familiar são menores que quatro módulos fiscais - áreas que variam de 12 a 30 hectares; utilizam a maioria da mão de obra da própria família; têm renda familiar predominantemente originada de atividades vinculadas ao próprio estabelecimento.
A pesquisa mostra ainda um total de 1,117 milhão de ocupados com agricultura que obtiveram uma receita total de R$ 13,9 bilhões com produtos vegetais e animais. Os produtos da agroindústria renderam R$ 60,443 milhões. Em 2006, o valor total de produção atingiu R$ 15,8 bilhões.
A maioria dos produtores sabe ler e escrever (706 mil). No entanto, o nível de instrução ainda é baixo, ou seja, apenas 14% dos chefes dos estabelecimentos têm o ensino fundamental completo e 70% possuem o ensino fundamental incompleto. A idade da maioria dos proprietários varai entre 46 e 65 anos (47%) e 36% deles têm de 26 a 45 anos.
O Censo aponta ainda o aumento do uso de tecnologias para a melhora da produção como a correção do solo (utilização de calcário), uso de fertilizantes, acesso à assistência técnica, rotação de culturas e práticas conservacionistas como plantio de nível, conservação de encostas, entre outras.
Na última pesquisa foi investigada, pela primeira vez, a agricultura orgânica. No Brasil, o número de estabelecimentos que produzem orgânicos representa 1,8% e, no Paraná, este número alcança 2,02%. Ao todo, são 7.527 estabelecimentos no estado, sendo que destes, 909 possuem certificação orgânica. Mryczka acredita que o Paraná tem mais tecnologia, mercado para esses produtos e é mais consciente, por isso, o percentual da produção de orgânicos é maior.
Liderança - Com apenas 2,3% do território nacional, o Paraná produz mais de 20% de toda a produção de grãos do país, sendo o maior produtor no plantio de feijão, milho e trigo.
Outro destaque foi o aumento na criação de aves para corte (principalmente galinhas), bem como o crescimento do cultivo de cana-de-açúcar. No Censo de 1996, o efetivo de aves era de 94.466 milhões, e em 2006, o número subiu para 286.567 milhões. O principal motivo seria o aumento das exportações. Já a área colhida de cana-de-açúcar, o aumento entre os censos foi de 70 mil hectares, com as novas usinas e destilarias, além dos programas de incentivo ao álcool.

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