O retorno econômico da pesquisa
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de junho de 1997
Cristina Côrtes 
ResultadosAs novas cultivares desenvolvidas nas casas de vegetação do Iapar melhoraram a produtividadeEstudos feitos pela área de Sócio-Economia do Iapar mostram que o retorno econômico das tecnologias geradas pela pesquisa representa 2,87 vezes o valor investido na instituição pelo Governo Estadual no período 1980 a l994.
Os dados analisados mostram que de 81 a 94, nas culturas do trigo, milho e algodão houve um incremento de recursos na arrecadação do ICMS em torno de R$ 55 milhões e 847 mil, enquanto, neste mesmo período, os recursos investidos na instituição foram de R$ 18 milhões e 770 mil. Para o agricultores do Estado o retorno estimado alcançou R$ 333,7 milhões em março de 95.
Para o pesquisador do Iapar, Tiago Pellini, especialista em Economia Rural, estes resultados sugerem a alta rentabilidade dos investimentos em pesquisa, mesmo considerando que nem todo o aumento de produtividade pode ser atribuído diretamente à ação do Iapar.
CritériosMedir o retorno do trabalho de pesquisa é uma tarefa difícil, tendo em vista o tempo que se leva para desenvolver uma nova tecnologia, sua validação e também o tempo que demora até a maioria dos produtores ter adotado e se beneficiado dela.
Segundo Pellini, este estudo é uma questão estratégica para o Iapar, do ponto de vista de justificar projetos e buscar recursos para a instituição, além da nortear a adequação de novas ações.
Fotos: Dorico da SilvaNo Laboratório de Ecofisiologia a observação cuidadosa do crescimento das plantas
Os critérios utilizados para avaliar os benefícios da pesquisa agropecuária foram basicamente três: aumento da produtividade, possibilidade de redução de custos de produção e ampliação da área de cultivo. Mastodo o conjunto de tecnologias contribui para a sustentabilidade ecológica do Paraná, e proporciona retornos indiretos, acrescenta Pellini. Entre estas tecnologias estão o manejo e conservação de solos, controle biológico de pragas, redução do uso de insumos químicos, ampliação dos conhecimentos climáticos do Estado e outras.
A adoção de uma determinada tecnologia, como uma nova cultivar, nunca é isolada, mas representa um conjunto de práticas que são incorporadas pelos produtores, como sementes, espaçamento, adubação, manejo de pragas e doenças.
Benefícios diretosA pesquisa realizada nos últimos quinze anos mostrou que a produtividade média do Paraná teve um incremento total de 61,80% para o trigo, passando a produzir a mais 9,7 sacas por hectare; 25,95% para o milho, com uma produção média de 11 sacas/ha e 10,04% para o algodão, com produção de 11,2 arrobas/ha.
O pesquisador destaca alguns exemplos para ilustrar o alcance das tecnologias geradas. No caso do trigo, com desenvolvimento de novas cultivares mais produtivas, mais resistentes ao acamamento e às principais doenças, foi possível o cultivo em áreas com maior acidez de solo. O Paraná plantava 288 mil ha de trigo em 1970, e passou, em 76, para 1 milhão e 248 mil, atingindo uma área máxima, em 86, de 1 milhão e 946 mil ha.
Para o milho, a produtividade aumentou de 2.535 kg/ha em 80 para 3.213 kg/ha em 94 e no algodão o rendimento da cultura passou de 1.671 arrobas/ha para 1.768 arrobas/ha. Além das culturas já citadas, foram analisados outros produtos como feijão, forrageiras de inverno, citricultura e café adensado.
O benefício principal das novas variedades de feijão foi a resistência às doenças mais comuns do feijão, como antracnose, bacteriose e mosáico dourado, o que possibilitou o retorno do plantio da safrinha no Norte do Estado, ampliando a área cultivada em aproximadamente 1 milhão de hectares.
A variedade Iapar 44, por exemplo, ocupou em 94 mais de metade da área do Estado. Em 87 produzíamos 519 kg/ha e em 94 passamos a produzir 848 kg/ha, comenta Pellini.
Café e citrusNa cultura do café, duas tecnologias foram avaliadas como responsáveis pelo incremento de produção que começa a mostrar seus resultados, com grande potencial para os próximos anos: o adensamento do plantio e a geração de cultivares resistentes à ferrugem.
Este novo modelo de plantar café foi recomendado a partir de 91. Enquanto uma lavoura tradicional de café produz l5 sacas/ha, o adensado tem potencial para produzir de 40 a 60 sacas/ha. A estimativa de incremento na arrecadação de ICMS com o início da produção dos cafezais adensados (ano de 97) é substancial, pois representaria de 25% a 44% dos recursos investidos no Iapar em 94.
Na área de fruticultura, a espécie analisada foi citrus. A tecnologia gerada pelo Iapar sustentou o início do plantio de pomares espalhados por mais de 50 municípios no Noroeste do Estado.
Tanto no café quanto nos citrus, os dados ainda são bem recentes, e em termos númericos não podem ainda ser comparados com outras tecnologias que já estão disponíveis há mais tempo para o produtor.


