Nascido em Barretos (SP), a capital brasileira da festa de peão, o empresário e tropeiro Paulo Emílio, 38 anos, é reverenciado por todos no mundo do rodeio. Peões, organizadores, locutores e até mesmo outros donos de boiadas enaltecem a qualidade dos touros criados por ele.
Peão que desistiu de montar por influência do pai - que temia vê-lo ferido por algum animal - Paulo Emílio entrou no mundo do rodeio com a idéia de implantar um conceito de organização empresarial nas montarias. Deu certo. Hoje, seus bois estão nas principais competições do Brasil.
A fama do tropeiro aumentou em 2005, quando foi exibida pela Rede Globo a Novela América. Um dos bois de Paulo Emílio, o Bandido, foi ''astro'' do folhetim. O próprio empresário fez umas pontas na trama da autora Glória Perez. De São José do Rio Preto (SP), onde tem escritório, o tropeiro concedeu esta entrevista para a FOLHA RURAL.
Como você chegou ao ponto de ser uma unanimidade dentro do mundo do rodeio?
Isso é muita dedicação, investimento, levar bons animais para os peões montarem... É isso que gerou toda a credibilidade que nós temos hoje. Estou sempre investindo e tenho o retorno. Nos maiores eventos, os peões valorizam a minha boiada. Fico contente com o reconhecimento. Para você ter uma idéia, esta semana meu gerente está indo para o Mato Grosso para sondar 1,2 mil touros. Atualmente tenho 220 touros só para rodeio.
Como é o treinamento dos animais?
O animal de rodeio tem uma índole própria, não há como treiná-lo. Tem que montar para ver se ele pula ou não. O touro que pula tem que ser amansado para saber se comportar no brete, para a hora que o peão montar e apertar a corda, (o boi) não ficar se batendo. Mas ressalto que o animal tem índole própria. Se fosse fácil achar touro que pula, todos os tropeiros teriam boiadas iguais. Tem que garimpar. É igual jogador de futebol, todo mundo sabe jogar bola, mas alguns são craques e outros só servem para ''peladas'' no final de semana. Tem que cair esta tese que a Sociedade Protetora dos Animais tanto fala de que o sedém judia do animal, que machuca... O animal de rodeio não é mal tratado. O sedém que a gente faz é do próprio rabo do boi para não causar irritação, além disso colocamos uma faixa para não machucar o touro. Também há sedém de lã e de crina de cavalo.
Quanto chega a valer um touro de rodeio?
Tem boi de tudo quanto é preço, tem animal que chega a valer R$ 50 mil e tem boi que não tem preço, como o Bandido.
Quanto vale o Aspirante, que atualmente é a sua grande estrela?
Estamos falando do atul único touro invicto do Brasil. Para mim, ele não tem preço, pois aonde vai derruba todo mundo. Ele é diferente. Eu mandei um vídeo para o Adriano Moraes e ele disse que é o melhor boi do momento.
E o bandido, está aposentado mesmo?
Sim, o Bandido virou uma lenda viva.
Mas você ainda o leva para eventos? Quanto custa uma apresentação do boi Bandido?
Sim. A apresentação custa R$ 20 mil.
Qual é o seu investimento mensal na criação dos touros?
Ah! é muito, não sei te falar exatamente. É muita ração, é muito remédio, é muita coisa. Eu tenho alguns patrocinadores que me ajudam, pois o preço é alto.
E o retorno financeiro, é compensador?
Compensa. O investimento em touro é muito alto, mas vamos administrando.
No rodeio da Expo Londrina de 2007, o qual o senhor organizou, um repórter da FOLHA percebeu que o senhor ficava atrás do brete cutucando seus animais com um chaveiro em formato de espora. É uma forma de deixar o animal mais irritado?
Não. É uma forma de preparar a atenção do animal, entendeu? Você cutuca para ele saber que vai sair (do brete). É como se fosse um técnico, que está ali em cima do animal, pois, muitas vezes, no momento de abrir a porteira, o boi está olhando para o lado errado. Por isso tem que estar ali, dando uma cutucadinha, mas aquilo não machuca.

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