O que plantar?
O que plantar?
Nelson Costa
Tradicionalmente os agricultores, neste período do ano, tomam a decisão sobre o que plantar na safra de verão, cujos plantios se iniciam logo em seguida. A decisão do que plantar é precedida por uma análise da conjuntura de mercado, disponibilidade de insumos, culturas que mais se adaptam à região, necessidade de rotação de culturas, disponibilidade de crédito e perspectivas de retorno de cada atividade.
Neste ano, embora essa lógica não se aplique na sua totalidade, pois há uma pré-disposição para o plantio da soja, contudo, os fatores determinantes no momento para tanto corroboram efetivamente no sentido de que a soja seja a melhor opção, mas o mercado futuro poderá trazer surpresas. Então vejamos:
- Mercado internacional da soja com preços altos, acima da média histórica;
- Mercado interno do milho, maior concorrente, em área, da soja, com preços baixos;
- Comercialização da soja tranquila, com fácil liquidez, o oposto ao mercado do milho;
- Desestímulo governamental ao plantio de milho, com redução do preço mínimo para a região do Centro-Oeste; em contrapartida para a soja, ocorreu aumento do limite de financiamento e do preço mínimo;
- Desoneração do ICMS na exportação, o que reverte num ganho adicional para a soja;
Com relação às demais culturas competitivas em área com a soja, tais como algodão, arroz, mandioca e feijão, pode-se dizer que há tendência de aumento substancial da área de plantio do algodão; contudo, como o plantio da safra anterior foi pequeno, o reflexo desse aumento não é suficiente para infuenciar na área de soja. Os fatores que contribuirão para o aumento do plantio do algodão são basicamente preços bons e incentivo governamental. No caso do Paraná, o próprio governo estadual está auxiliando os cotonicultores para ampliar a área de plantio.
As áreas de plantio de mandioca e feijão basicamente se manterão, talvez com alguma redução na área de feijão e aumento da área de mandioca, provocado pelos fatores de mercado. A área de plantio do arroz deverá reduzir-se, especialmente as áreas de sequeiro, que cederão espaço para a soja.
Evidentemente essa situação é conjuntural e momentânea. Sabe-se, contudo, que os preços futuros da soja sinalizam para a nova safra americana com cerca de US$ 13,00 a saca, bem abaixo dos preços atuais. Consequentemente, na colheita os agricultores brasileiros poderão se frustrar. Por outro lado, como o plantio de milho será menor, com demanda ligeiramente crescente, embora o País disponha de algum estoque, as perspectivas indicam que o preço do milho poderá surpreender.
Quanto ao algodão, as novas variedades que permitem colheita mecânica e mais resistência a doenças indicam que mesmo a comercialização se situando por volta do preço mínimo, há possibilidades de bons ganhos devido ao aumento da produtividade e redução de custos. Quanto ao arroz e feijão, produtos típicos de mercado interno, as perspectivas não vão muito além do preço mínimo. Para a mandioca, com possibilidades de seca no Nordeste, o mercado poderá também surpreender.
Resumidamente, de acordo com essa panorâmica, entendemos que o agricultor não deverá apostar todas suas fichas na soja, embora haja essa tendência, pois o preço do milho poderá surpreender para cima. Do algodão, a renda líquida por área poderá ser boa em face da possbilidade de obtenção de alta produtividade a custos menores. Quanto aos preços do arroz e feijão, tudo vai depender da situação momentânea.
Nelson Costa é engenheiro agrônomo, especialista em Planejamento Estratégico e Marketing Empresarial, Gerente Técnico e Econômico da Ocepar.





