Maria Lúcia Pereira afirmou que a opção de implantar todo o sistema na Fazenda Mariópolis, que tem criação de gado da raça caracu, foi a solução para sanar ‘‘possíveis falhas na coleta manual das informações, o que representa um alto custo para o produtor.’’ Ela acredita no sistema informatizado que, além de evitar erros, poderá facilitar e agilizar o trabalho do pecuarista em todo o manejo da fazenda.
Maria Lúcia Pereira disse que outra vantagem é poder trabalhar com as informações rapidamente. Dos 780 animais da fazenda 280 bezerros já estão brincados e participando do processo de rastreabilidade.
Na Fazenda Paredão, de Nelson Pineda, o plantel soma seis mil animais das raças nelore e girolando. Mil matrizes já foram identificadas. ‘‘A rastreabilidade não é só uma exigência da união européia, é um instrumeno de melhoramento genético e deve fazer parte de todo um processo global de gerenciamento da produção. É um sistema que garante a segurança alimentar e responde aos anseios de qualquer consumidor, seja ele de onde for.’’
Pineda, que também é diretor da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), aprova o sistema apresentado em São Paulo, mas alertou que pelas condições brasileiras (extensão e rebanho) é preciso encontrar rumos para implantação da rastreabilidade de acordo com a realidade do País.
‘‘Não podemos só pensar em chips, mas também tatuagens, brincos, sistemas que atendam pequenos, médios e grandes produtores. Na ABCZ pensamos que não se pode dar o monopólio da rastreabilidade para apenas uma empresa. O próprio mercado deverá escolhar as empresas que ofereçam esse serviço e que tenham o melhor custo-benefício.’’
O pecuarista João Arantes Júnior, que tem propriedades em Rondônia e no Mato Grosso, afirmou que vai fazer o projeto de identificação e rastreabilidade para 10 mil animais, das 40 mil cabeças de seu plantel. ‘‘Dei uma guinada e abandonei a pecuária convencional, agora só acredito em dados e informações que possam melhorar a eficiência.’’
Arantes está trabalhando com a produção de touros e acredita que o sistema poderá não só facilitar o melhoramento genético do seu rebanho como também ajustar melhor sua produção ao mercado moderno. ‘‘O Brasil pode dominar o mercado de carne no mundo pela qualidade, produção, custo de produção e oferta, mas para isso teremos que apresentar dados que possam comprovar essa situação e a rastreabilidade é um instrumento.’’

mockup