O que fazer com o macho leiteiro
Um estudo do pesquisador Humberto Codagnone, da Estação Experimental do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em Ibiporã, Norte do Estado, aborda a produção de vitelos (animais mais jovens para o abate) como mais uma alternativa de renda de criações leiteiras e melhor aproveitamento de machos na propriedade.
O estudo precisa agora, segundo Codagnone, de parcerias para virar um projeto e, mais tarde, ser colocado em prática nas propriedades onde existem criações de gado leiteiro, continuando no setor de indústria e abastecimento, até chegar ao consumidor de carne.
Bom aproveitamentoO envolvimento de toda a cadeia produtiva, avalia o pesquisador, se dará a partir do momento em que, primeiro, o produtor assumir a alternativa de produção como efetiva dentro de sua propriedade. Hoje, machos leiteiros que não viram reprodutores ficam jogados num canto da propriedade. Poucos dos machos são destinados para a reprodução, já que os criadores, muitas vezes, preferem adotar a inseminação artificial nas fêmeas.
Mais tarde vão para um confinamento, com dieta especial, onde ficam até o peso de abate. Ganho diário é de 1.100kg.Reduzir despesasHoje o macho é um problema para o produtor. O preço de mercado para o animal é insignificante e, quando não é vendido, o macho acaba trazendo despesas. Há apenas um mercado restrito no Brasil Central para bons reprodutores.
Segundo Codagnone a despesa com os machos no rebanho leiteiro já começa com a inseminação que custa em média R$6,00 a dose do sêmen. Além disso, o animal concorre com as fêmeas por área, alimento e manejo. O produtor teria que fornecer leite ao bezerro por pelo menos 50 dias, o que não é feito normalmente. Ou o macho é dado para outro criador ou se transforma naquilo que é chamado de tucura leiteiro.
O estudo de Codagnone ainda não tem na ponta do lápis o custo de produção do macho que seria destinado a produção de carne de vitelo. Até porque estamos testando alternativas de alimentação mais baratas. Hoje, por enquanto, alguns dos machos estão recebendo o mesmo tratamento das fêmeas de produção leiteira.
Da propriedade até o prato. Codagnone espera viabilizar um projeto que envolva toda a cadeia produtiva da carne O que é vitelo O vitelo tradicional é um bovino jovem abatido com 160 quilos de peso e alimentado com uma dieta predominantemente líquida. O vitelo proposto no estudo de Codagnone seria o tropical ou mais pesado, abatido com 180 a 220 quilos de peso, alimentado com dieta predominantemente sólida (concentrados e feno) e, portanto, de custo de produção menor, garante o pesquisador. Os dois tipos podem atender a um público consumidor exigente e que está crescendo no Brasil.
O objetivo da produção do vitelo tropical, segundo Codgnone, é viabilizar o aproveitamento do macho leiteiro, proporcionar nova fonte de receita ao produtor de leite e introduzir no mercado um alimento de qualidade, baixo nível de colesterol e valor protéico.
Animais cruzados A tecnologia de produção de vitelos está sendo testada no Iapar de Ibiporã com animais cruzados, de sangue holandês e zebu (gir, guzerá, entre outros), avaliando custos e manejo. Mais tarde, segundo o pesquisador, será preciso avaliar estratégias de mercado em redes de supermercados, restaurantes e consumidores.
O manejo dado aos machos é o mesmo das fêmeas. Ao nascerem ficam 24 horas com a mãe para mamarem o colostro. A seguir são transferidos para os bezerreiros, no pasto, onde também recebem leite e concentrado. Depois são transferidos para o confinamento, uma área adaptada, que pode ser de instalações simples, avisa Codagnone.
Como funcionaA técnica de produção do vitelo, no experimento do Iapar em Ibiporã, se resume em três fases. Na primeira delas o animal é alimentado com leite ou um substituto até os 50 dias de idade. Na segunda fase, dos 51 dias de vida até os 200 dias, recebe mistura completa, de concentrado mais o feno. A fase final é a do abate, feito por volta dos cinco ou seis meses, com peso de 180 a 220 quilos.
Nas avaliações preliminares, garante Codagnone, estão sendo analisados desempenho, adequação das dietas, rendimento de carcaça, definição de cortes, otimização de manejo e a composição de custos. Paralelo ao desempenho está sendo avaliada a resposta dos animais à dietas, contendo milho moído e milho integral. No tratamento de milho moído os animais têm obtido peso diário de 1.045 quilos e no integral peso de 1.137 quilos/dia.
Em alguns casos o ganho de peso diário tem sido de até 1.300 kg, mas na média os animais obtêm ganho de 1.100 kg/dia. Assim como na pecuária de corte, onde o macho tem aproveitamento para o ganho de peso, no gado leiteiro é possível usar os animais que não servirão à reprodução para a produção de carne.Josoé de CarvalhoMachos recebem mesmo tratamento dado às fêmeas e ficam por um período nos bezerreiros, recebendo boa alimentaçãoCláudia Barberato





