O que é que o Norte do Paraná tem?
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de novembro de 2009
Gisele Mendonça<br>Reportagem Local 
Filha de suíços que ajudaram a desbravar o Norte do Paraná, Cornélia Gamerschlag está abrindo a sua propriedade de 400 alqueires, em Santa Mariana, para mostrar a grupos de turistas como se produz café. O foco dela não é lucrar com isso, mas mostrar a realidade do trabalho no campo para derrubar preconceitos. Aparecida Donizete Ruvina Almeida, abre o sítio da família, de 26 alqueires, em Ribeirão Claro, para receber hóspedes em uma aconchegante pousada. Além de exibir as belezas naturais daquela região, a produtora quer aumentar a renda da propriedade que também tem café e gado.
Grandes e pequenos produtores aceitaram o desafio e estão lado a lado na empreitada de fomentar o turismo rural no Norte do Estado. Dezenas deles estão inseridos na Rota do Café e na Rota do Agronegócio, lançadas na semana passada em Londrina. Os projetos envolvem 25 municípios com 62 atrativos, entre propriedades rurais, hotéis, restaurantes e instituições ligadas à agricultura e à pesquisa científica. Agências de viagem vão comercilizar os pacotes e organizar grupos para visitas direcionadas.
Com o apoio de diversas entidades, o Sebrae trabalhou 20 meses na criação das rotas. Dezenas de propriedades com o perfil procurado foram visitadas no trecho entre Apucarana e Tomazina. Foi um trabalho de formiguinha. O homem do campo, por natureza, é desconfiado. Você não convence de primeira. Fomos amarrando as pontas e hoje temos aí um produto estruturado, afirma Sérgio Ozório, consultor do Sebrae e coordenador dos projetos.
As rotas têm o objetivo de criar um novo polo de turismo no Estado, focado na vocação da região, e abrir novas possibilidades aos produtores. Para os pequenos, o turismo pode agregar valor. Já para os grandes, o interesse está na geração de uma rede de contatos para alvancar negócios e formar parcerias, aponta. Nas propriedades sem opção de pernoite, a orientação, segundo o consultor, é que se cobre R$ 10 por visitante, além da comercialização de alimentos e outros produtos.
Os produtores cadastrados foram orientados pelos consultores a adequarem suas propriedades e treinarem os funcionários para receber turistas. Eles terão que adequar o seu dia a dia com a hospitalidade, resume Luciana Masson Scaramal, consultora do Sebrae. Segundo ela, a principal característica da região a ser vendida na Rota do Agronegócio são a tecnologia, o manejo e a diversidade de cultura, utilizando a mesma terra.
A expectativa é que a Rota do Agronegócio gere uma movimentação de R$ 15 milhões por ano na região. Com a Rota do Café, são esperados R$ 10 milhões/ano. Isso vale para toda a cadeia, incluindo as agências de viagem, rede hoteleira, restaurantes.


