O que está acontecendo no solo brasileiro? Deficiências no manejo têm resultado no aumento da população de pragas potenciais que antes não representavam dano econômico à lavoura. Percevejos, lesmas, corós, piolhos de cobra, caracóis, antes inofensivos, hoje contribuem para o aumento do custo de produção.
Dois fatores interferiram decisivamente na mudança da fauna e flora do solo e, consequentemente, na incidência desses bichos: o uso abusivo de pesticidas em geral e o sistema de plantio direto. ''Apesar de ser um sistema extremamente conservacionista, o plantio direto é um problema do ponto de vista entomológico, pois uma série de bichos se adaptou ao ambiente da palhada'', afirma o entomologista Antônio Ricardo Panizzi, da Embrapa Soja.
Segundo ele, ainda há um descompasso entre as recomendações dos pesquisadores e as ações dos agricultores, pois falta a validação da pesquisa no campo. ''A informação existe, mas chega desviada ao produtor, que acaba manejando o solo de forma equivocada'', completa o entomologista.
Ele explica que, em decorrência do plantio direto, as mesmas pragas que atacam as lavouras de soja atingem também as plantações de milho, trigo, girassol e algodão. ''O controle é essencialmente químico'', informa Panizzi, ressaltando que para casos extremos de infestação, o controle mecânico gradio do solo é recomendado.
O dano principal, assinala o entomologista, é a redução do estande da lavoura (número de plantas por área), que acarreta quebra na produtividade. ''Quando não conseguem comer as sementes em germinação, essas pragas acabam comendo as plântulas (plantas recém-nascidas)'', explica.
O controle deve ser feito com a pulverização das plântulas ou o tratamento das sementes com inseticidas. O uso de iscas tóxicas também é válido. Segundo Panizzi, essas iscas são feitas a partir da mistura de farelo de soja, levedura de cerveja e inseticidas e devem ser espalhadas nos locais de maior infestação da lavoura, na proporção de 75 a 100 quilos por hectare.
''Apesar de os agricultores serem resistentes ao monitoramento da lavoura, o levantamento prévio dos danos é fundamental para a eficiência da aplicação de inseticidas na lavoura'', complementa o entomologista. Ele explica que as aplicações preventivas não são recomendadas, pois destróem os inimigos naturais dos microorganismos do solo, provocando o aparecimento de cada vez mais pragas. ''O produtor deve ver o dano primeiro e aplicar o inseticida depois.''

Serviço: - A Embrapa Soja lançou durante o 4º Congresso Brasileiro de Soja o ''Manual de Identificação de Insetos e Outros Invertebrados da Cultura da Soja'', o livro custa R$ 10,00 e pode ser adquirido junto à Área de Negócios Tecnológicos da Embrapa - Caixa postal 231 - CEP 86001-970 Londrina/PR, ou pelo telefone (43)3371-6119.

mockup