Cascavel - A necessidade de se agregar valores aos produtos levou a Cooperativa Agropecuária de Cascavel (Coopavel), a investir na industrialização de produtos de origem animal. A mudança ocorreu no início da década de 80, dez anos após sua fundação, quando a direção da cooperativa chegou à conclusão de que seus associados precisavam diversificar suas propriedades, como forma de aumentarem suas fontes de renda.
Além de aumentar o lucro dos cooperados, esta era uma boa oportunidade para a cooperativa se consolidar como uma empresa, aproveitando no processo de industrialização os mesmos produtos repassados pelos associados. Após várias reuniões e estudos, a direção da cooperativa definiu que a opção mais viável e lógica seria a transformação de grãos em carne.
Depois de quase uma década produzindo em menor escala, em 1990 a Coopavel colocou em prática o chamado, Projeto Carne, que está sendo consolidado este ano e reúne três frigoríficos, que produzem e comercializam 54 itens derivados de aves, 12 de suínos e 23 de bovinos. Em 2001, a agroindustrialização foi responsável por 70% do faturamento anual da empresa que chegou aos R$ 388 milhões.
Para o diretor-presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, o crescimento da cooperativa nos últimos anos está relacionado ao equilíbrio existente com seus associados. Ele observa que em 2001 o crescimento foi evidente em boa parte das indústrias da cooperativa. O Laticínio, por exemplo, aumentou sua produção de 14 para 16 milhões de litros industrializados. A Reciclagem de subprodutos vegetais passou de 6 para 8 mil de toneladas.
Dilvo ressalta que a indústria de óleos bateu recorde de produção ao atingir 202 mil toneladas de grãos processados e transformados em 170 mil toneladas de farelo, dos quais 50% foi exportado para a Europa e 50% consumido pela fábrica de rações da própria Coopavel. O total industrializado representa 10% a mais que no ano 2000, quando foram processadas 192 mil toneladas de grãos de soja e transformadas em 74 mil toneladas de óleo bruto e 155 mil toneladas de farelo.
Apesar dos números, Dilvo Grolli entende que o crescimento da Coopavel, não foi apenas econômico, com aumento da produtividade e do valor agregado. Segundo ele, o crescimento registrou-se também no plano social, com o propósito de amenizar as diferenças entre as pessoas através do conhecimento, incentivando os associados e funcionários e seus familiares ao estudo e ao aprimoramento pessoal.
Sobre a grande quantidade de cooperativas existentes nas regiões Oeste e Sudoeste do Paraná, Dilvo explica que a proximidade entre elas acaba resultando em benefícios aos produtores que são melhores atendidos e recebem uma assistência técnica de maior qualidade. Ele completa que são poucos os municípios onde atuam mais de uma cooperativa. ''Nesses locais prevalece o respeito profissional'', diz.
Para o presidente da Coopavel, o problema não está na concorrência com outras cooperativas, mas sim com as grandes empresas internacionais instaladas na região. ''Não se pode ficar pensando que essas empresas são insuperáveis. Precisamos encontrar um ponto vulnerável delas e superá-las'', conclui.

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