As responsabilidades com relação à qualidade do produto que chega ao consumidor devem ser assumidas por todos os participantes da cadeia produtiva do leite e casos de adulteração e fraudes devem ser investigados e os responsáveis, punidos. A opinião é de Valdeir Martins, produtor de leite tipo A, no distrito da Warta, em Londrina. Diariamente ele processa 700 litros, produção de cerca de 50 vacas.
''O produtor não participa da adulteração ocorrida na indústria'', diz Martins. ''Ele é penalizado pela cooperativa, se entregar leite de má qualidade. Mas o destino do leite que não passou pelos testes no laticínio é desconhecido'', complementa. O produtor afirma que não existe ''milagre'' na cadeia produtiva do leite e a qualidade final depende de investimentos e fiscalização. ''É preciso que se pague um preço justo pela qualidade''.
Martins faz severas críticas a algumas indústrias que, segundo ele, só pensam no resultado financeiro. ''Ainda vivemos a cultura do 'levar vantagem', o que para mim é falta de patriotismo, já que o leite é um alimento fundamental para as crianças'', enfatiza. Segundo ele, essas indústrias desrespeitam o trabalho daquele produtor, que se dedica o dia inteiro para obter leite de qualidade, e ainda fazem concorrência desleal às empresas sérias.
O produtor chama a atenção para a necessidade de fiscalização eficiente, papel do Estado. ''Pagamos impostos, temos direito a produtos de qualidade, principalmente com relação a alimentos'', afirma. Ele lembra que existem poucos fiscais para muitos pontos de fiscalização. (R.C.)

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