ControleA reposição do Pinus elliotti é uma das maiores preocupações para garantir a extração de resinasO déficit da reposição florestal pode resultar na falta de madeira no Paraná daqui a sete anos. No Paraná o corte de madeira é de 200 árvores por minuto e se planta um terço disso - em torno de 60 árvores por minuto. O alerta já foi deflagrado pelos técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e agora essa ameaça ronda as empresas que precisam da matéria-prima para fabricação de seus produtos.
Em São Paulo, as empresas que fabricam e comercializam a goma-resina retirada do Pinus elliotti, estão reforçando o diagnóstico. Elas argumentam que a redução na oferta de matéria prima vai resultar na perda de mercado internacional para o Brasil, que se destaca como segundo maior produtor de goma-resina do mundo, atrás apenas da China.
A goma-resina está presente na borracha dos pneus, nos produtos de limpeza, na indústria farmacêutica, na cola papeleira, na essência de perfumes, nas tintas, vernizes e até mesmo na massa para chiclete e em incensos. O Brasil produz o equivalente a 77 mil toneladas, colhidas nas florestas brasileiras na safra 96/97, com forte concentração nos Estados do Paraná e São Paulo.
ExportaçãoO mercado brasileiro para a exportação é considerado firme e seguro e oferece potencial de lucratividade para os produtores rurais que decidirem investir no plantio de Pinus elliotti. Para se ter uma idéia: em apenas 1 hectare (10 mil metros quadrados) pode-se plantar até 1.000 árvores, obtendo um rendimento em torno de R$ 1.350,00 por ano, somente com a produção da goma-resina. No mês de maio, a matéria-prima era comercializada a R$ 500,00 a tonelada no mercado internacional.
Foto: DivulgaçãoA retirada da resina pode ser uma boa fonte de renda para o produtor
Mas esse mercado está ameaçado, porque a reposição da madeira cortada está abaixo dos níveis recomendados, concorda o engenheiro florestal Eleutério Langowski, da diretoria de Desenvolvimento Florestal do IAP. Segundo ele, os cortes de madeira que estão sendo feitos atualmente, incluindo o Pinus elliotti, referem-se aos plantios feitos nas décadas de 60 e 70 com incentivos fiscais.
Entre 1963 e 1983 foram plantados quase 500.000 hectares de árvores em todo o Estado que agora atingem o ponto de maturação. O que assusta as empresas é que a reposição no plantio não está sendo feita conforme os cortes. Segundo o IAP, atualmente cortam-se 70.000 hectares de madeira por ano e o plantio é de 23.000 hectares, acumulando um déficit anual de 47.000 hectares, informou Langowski. Com exceção das indústrias papeleiras que repõem o equivalente a 100% do que cortam, as demais não fazem o replantio, principalmente as serrarias, advertiu o técnico.
Política florestalEm função desse desequilíbrio, está ocorrendo uma reformulação na política florestal do Paraná, obrigando as empresas consumidoras de madeira a participarem do replantio de árvores. Esse ano deverão ser plantadas 40 milhões de árvores e a expectativa é plantar 120 milhões de novas árvores em 1998, que seria o número ideal para compatibilizar o consumo e o plantio, informou Langowski.
O Sistema Estadual de Reposição Florestal (Serflor) para obrigar as empresas que consomem a plantar árvores. Além da fiscalização intensa sobre o transporte de madeiras, para identificar se o corte está sendo reposto, o IAP aposta no programa de florestas municipais onde as prefeituras estão engajadas no trabalho de reflorestamento. O técnico do IAP prevê uma ‘‘febre de reflorestamento’’ no Paraná quando os produtores ficarem convencidos das vantagens oferecidas pelo reflorestamento, em vista da associação de empresas consumidoras de madeira que deverão financiar o plantio.
Para envolver os produtores nesse processo, a exigência de recuperação de reserva legal em áreas devastadas poderá ser feita com florestas de produção. Outro atrativo para os produtores é que o reflorestamento com pinus, se bem conduzido, poderá ser consorciado com culturas agrícolas, assegurando uma renda anual e uma poupança, no longo prazo, para garantir a aposentadoria do produtor.
A vantagem do pinus, aponta Langowski, é que além da madeira pode-se extrair a resina para utilidade industrial, que fornece uma renda extra aos produtores. O técnico alerta contra a resinagem sem controle por parte dos produtores que podem levar à morte da árvore. A coleta da resina deve ser feita com moderação, aproveitando os desbastes e o raleio da floresta onde muitas árvores são retiradas para extrair a resina até a exaustão, recomenda.

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