O preço do atraso
Luiz Pirin
O movimento sindical do campo necessita urgentemente de mudanças. Ele não pode ser um monumento ao passado, uma instituição com morte anunciada no marcapasso da História. Precisa atualizar-se.
Os trabalhadores e trabalhadoras rurais, agricultores e agricultoras familiares cobram constantemente respostas inovadoras às demandas da sociedade atual. O progresso tecnológico, a modernização e mecanizaçõa da agricultura e as transformações no mundo do trabalho exigem dos representantes dos trabalhadores capacitação e formação à altura, visando preparar a categoria para as novas relações econômicas e sociais, bem como para minimizar os efeitos prejudiciais que possam acompanhar essas mudanças.
No início deste mês uma assembléi de dirigentes sindicais da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep) teve a oportunidade de discutir a reformulação do estatuto que rege toda a organização e atuação da entidade. O atual estatuto dita uma organização atrelada ao sistema previdenciário e ao Executivo, na figura do Ministério do Trabalho. Uma estrutura centralizadora, que não se sustenta ou sobrevive autônomamente.
Entre as propostass de mudanças estavam:
- Adoção de uma cota mínima de participação das mulheres em todas as instâncias da Federação - o que já é realidade em partidos políticos, centrais sindicais nacionais e internacionais e estará em vigor na composição de delegados do congresso da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), no ano que vem;
- realização de congresso para elaboração de políticas e estratégias da categoria, com a participação massiva de trabalhadores e lideranças;
- constituição de secretarias por área de atuação, para facilitar o planejamento e gerenciamento da entidade, uma vez que cada secretaria se dedica a uma demanda específica e agiliza o atendimento;
- representação qualitativa - é inadmissível que um sindicato com 30 associados tenha o mesmo direito de participação e peso político de um outro com dois mil associados em dia. A estrutura atual não incentiva o fortalecimento das entidades e a qualificação de lideranças;
- investir nos trabalhos das microrregionais - hoje a Federação arrecada dos sindicatos 4% das mensalidades dos associados, e 10% da contribuição confederativa paga por todos os trabalhadores assalariados e agricultores familiares. Deste montante, uma parte é devolvida na forma de remuneração ao delegado da Federação na microrregião.
Acredito que esse dinheiro deva obrigatoriamente ser repssado à administração regional, para reverter em desenvolvimento de trabalhos locais. Fui, durante dois anos, delegado da micro 1, que representa 35 sindicatos da região Sudoeste. Nesse período, sempre prestei conta dos valores em assembléia regional, e repassei R$ 5.200,00 para a administração regional. Hoje, além do Sudoeste, a microrregião 10, formada por sindicatos das regiões Centro-Sul e Metropolitana, começa a destinar, à coordenação regional, parte dos recursos arrecadados.
Infelizmente o movimento sindical dos trabalhadores rurais do Paraná rejeitou as propostas de atualização e fortalecimento da entidade. No meu entendimento, todos perdemos muito com isso.
Ao restringir a participação de trabalhadores - homens e mulheres - nas decisões e no processo de elaboração de políticas para a categoria, a entidade perpetua um sistema que barra a renovação do movimento, garantindo aos mesmos de sempre o que sempre foi deles mesmos. Muitos dirigentes, enfurnados em sindicatos há mais de 20 anos, sequer se prepararam para assumir a responsabilidade de representasr a categoria.
A pergunta que me faço constantemente é: para onde vai o movimento sindical de trabalhadores rurais do Paraná?
O autor é 2º vice-presidente e coordenador de Formação Sindical da Fetaep.

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